Niterói por niterói

Publicado

‘Chegou a minha vez’, diz jovem depois de longa espera pela vacina

Repórter do ‘A Seguir: Niterói’ relata o sentimento de, finalmente, receber a primeira dose da vacina contra a Covid
1

Era como se estivesse presa em um espaço temporal em que as coisas podem dar minimamente certo, uma faísca de esperança, um suspiro para uma caminhada que ainda é longa, sabemos. Novas variantes circulando, mais transmissíveis, me deixam um tanto aflita. Afinal se trata de um vírus letal, capaz de interromper sonhos, vidas e desafios. A primeira dose foi a confirmação de que a luta ainda continua, mas a gratidão pela existência de cientistas e do SUS, que funciona muito bem, obrigada, apesar do desgoverno.

Quando estava indo em direção ao posto para tomar a primeira dose, um filme passou pela minha cabeça. Não podia acreditar que tinha finalmente chegado a minha vez. Mas a felicidade não foi plena. Quantas famílias foram desfeitas, quantas vidas perdidas, por causa das complicações de um vírus para o qual já existe vacina. O descaso com a doença me apavora e ter uma pessoa incompetente e apática no governo me entristece. Mas lá fui eu, tremida de emoção e ansiosa pela possibilidade de finalmente receber parte da imunização. Digo isso porque completar a imunização, com a segunda dose, é fundamental.

Cheguei ao posto com a esperança pela vida que persiste em meio à loucura. Um misto de sensações. O conforto de receber a primeira dose e me proteger de um vírus extremamente violento. Saber que ainda tem chão, mas com uma proteção considerável, já alivia. Sinto falta das pequenas coisas. Sair sem pensar que posso me contaminar a qualquer momento é uma delas. Mesmo tomando todos os cuidados, com máscara e distanciamento. A experiência inigualável de assistir a um filme no cinema, sentar num restaurante e pedir algo para comer, encontrar com meus amigos com regularidade e sem preocupações. Ir à praia e tomar uma água de coco ou um mate gelado. Andar de bicicleta sem máscara, ir a um show e voltar com a voz rouca, renovada, como deve ser. São muitas as saudades. Mas receber a vacina no braço, após respeitar a pandemia é ainda mais prazeroso. O sabor é diferente.

Agradecer, sempre, ao SUS, à ciência, aos especialistas que fazem de tudo para passar o seu conhecimento adiante. E aos meus companheiros de profissão que driblam as fake news na busca da melhor informação. O jornalismo resiste e cumpre um papel social ainda mais importante em tempos atuais. Seguimos com a consciência de que, mesmo com a segunda dose, temos que cuidar da gente e do outro.

COMPARTILHE

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email