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Catamarã de Charitas sem data para reabrir: serviço pode esperar nova licitação em 2023

Decreto do governo do estado suspendeu transporte na pandemia e queda no movimento concentrou operação Rio-Niterói na Praça Arariboia
Estação Hidroviária de Charitas fechou em 2020. Foto- Amanda Ares
Estação Hidroviária de Charitas fechou em 2020. Foto: Amanda Ares

Não é mais a pandemia que mantém suspenso o serviço de catamarã entre Charitas e a Praça XV. O transporte, uma atividade essencial, está parado hoje em função da falta de passageiros. O conjunto das “barcas”, operado pela CCR, nas ligações entre Rio, Niterói, Ilha do Governador e Paquetá, hoje movimenta apenas 18 mil passageiros por dia, contra uma média diária de 75 mil, antes da pandemia.

A ponta mais visível da crise no transporte marítimo é a operação do catamarã de Charitas, interrompida há mais de um ano. A estação está fechada e todo o comércio foi desmobilizado, bares, cafeterias, lojas, jornaleiro, está tudo com cadeado. O estacionamento ao lado está vazio. E o estacionamento subterrâneo construído pela Prefeitura para a integração com a barca foi desativado, com as entradas bloqueadas por obstáculos de concreto. O movimento na parada do BRT, a maior de todo o circuito, se resume a poucos moradores da região.

O governo do estado não tem previsão para a retomada do transporte. Na verdade, já era um problema antes da pandemia. A travessia marítima começou a perder passageiros em 2016, com a reurbanização da Praça XV, que tirou os ônibus do “mergulhão” e obrigou os passageiros a uma longa caminhada até o ponto, tornando a viagem mais demorada. O volume de passageiros antes disso chegava a 125 mil. Caiu para 95 mil. Até chegar aos 75 mil, antes da pandemia.

Estação fechou no começo da pandemia. Foto: Amanda Ares

O período de isolamento prolongado agravou a situação. Hoje, mesmo com a retomada das atividades no Rio e em Niterói e em São Gonçalo, os passageiros procuram outra opção de transporte. O movimento de passageiros é de 16 mil por dia, entre Rio e Niterói, e 2 mil, nas linhas da Ilha do Governador e de Paquetá, todas com tarifa de R$ 6,90. As barcas, com capacidade para 1.300 ou até 2 mil passageiros, trafegam com uma ocupação máxima de 54% dos lugares nos horários de pico. Nas viagens de retorno, como são chamadas as travessias no sentido contrário ao do maior fluxo de passageiros, não passa de 3%. A CCR tem registros de barcas viajando com um único passageiro na linha de Paquetá, uma viagem que tem um custo operacional de R$ 3.600.

No caso da linha de Charitas, o serviço é considerado “seletivo”, uma vez que a travessia já é coberta pela linha entre a Praça Arariboia e a Praça XV. Desta forma, o catamarã é tratado como um serviço diferenciado, feito por embarcações especiais, todas com ar condicionado e que não podem receber passageiros em pé, e por isso tem uma tarifa mais cara, hoje de R$ 19. De acordo com a CCR, antes da pandemia, o catamarã transportava 7 mil passageiros por dia. Técnicos calculam que, com a queda do movimento, depois da pandemia, se a linha estivesse funcionando, receberia uma média de 1.400 passageiros – um volume que não cobriria os custos da operação e aumentaria o prejuízo do sistema.

Com o volume atual de passageiros, os técnicos consideram inviável dividir a operação de Niterói entre as duas linhas, no Centro e em Charitas. Daí a decisão de concentrar as operações apenas na Praça Arariboia, de maior movimento, e que atende também a população de São Gonçalo.

A CCR Barcas e o governo do estado discutem hoje um prejuízo de R$ 1, 2 bilhão na operação do transporte marítimo, ao longo do contrato de concessão. É o cálculo da concessionária, que já anunciou que não disputará a renovação do serviço. A concessão termina dia 12 de fevereiro de 2023. O governo chegou a preparar um edital para a escolha de uma nova empresa para operar o sistema, em 2019. Mas o processo foi suspenso por determinação do Tribunal de Contas do Estado, para que fosse considerada a cobrança de tarifa social de R$ 6,90 cobrada nas outras linhas também no serviço do catamarã de Charitas, conforme decisão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

No momento, o assunto está na mesa do Secretário Estadual de Transportes, Rogério Teixeira Júnior, o Juninho do pneu, sócio de uma empresa de aluguel de veículos e equipamentos e deputado federal do DEM por Nova Iguaçu. Juninho assumiu o cargo na reestruturação do governo de Claudio Castro (PSC), depois da confirmação do afastamento do governador eleito Wilson Witzel, que abriu vagas na Câmara para os suplentes Leonardo Picciani (PMDB) e Júlio Lopes (PP).

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