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Ave considerada extinta é flagrada no Parque Municipal de Niterói

Por Redação
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Jacu foi fotografado circulando pelo Parnit. A SMARHS está mapeando, por meio de fotos e vídeos, os exemplares da fauna que habitam o parque
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Jacu foi capturado por “armadilha” fotográfica. Foto: Prefeitura de Niterói

Ao fazerem um “rolê” noturno, uma ave e um esquilo foram flagrados pelas câmeras instaladas no Parque Natural Municipal de Niterói (Parnit). Os animais não cometerem qualquer infração. Porém, chamaram a atenção por um detalhe: são espécies cujas presenças no local nunca tinham sido detectadas.

A ave, inclusive, é considerada extinta da fauna do parque há alguns anos. Trata-se de um jacu (Penelope obscura)  que, no escuro, pode muito bem ser confundido com uma galinha. Como é uma ave que tem o hábito de abrir e fechar a cauda, também pode, à primeira vista, ser confundida com um pavão.

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Já o esquilo, vulgo caxinguelê (Sciurus aestuans), também é chamado de serelepe. É uma espécie florestal típica do Brasil, mas andava meio sumido do parque.

O caxinguelê (E) é o esquilo típico do Brasil.

– O jacu é o grande dispersor de sementes da mata atlântica e é um animal chave para a biodiversidade da flora e para uma floresta saudável. Já o caxinguelê é um tipo de esquilo da Mata Atlântica e que, geralmente, fica muito dentro da vegetação, então foi a primeira vez que conseguimos capturar imagens dele – explicou o coordenador e supervisor do grupo de trabalho do Parnit, Alex Figueiredo.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS) está mapeando, por meio de fotos e vídeos, os exemplares da fauna que habitam o parque. Os equipamentos foram adquiridos pela Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) e as imagens são usadas para estudos e desenvolvimento de futuras ações de proteção dos animais do local.

Para obter o registro dos animais, técnicos da SMARHS montam “armadilhas fotográficas” –  quando as câmeras são ativadas automaticamente para fotografar e gravar animais em estado selvagem com a menor interferência humana possível.

Os equipamentos não são invasivos, não causam incômodo e nem promovem qualquer tipo de lesão nos animais. As armadilhas ficam em um local da mata por um período de 30 dias para observação e depois são levados para outra parte do Parque.

As armadilhas também já “pegaram” um cachorro do mato (Cerdocyon thous) passeando na mata, além de gavião-carijó e murucututu-de-barriga-amarela, espécies de aves comuns em áreas de vegetação nativa, mas que nem sempre são vistas pelos visitantes do parque.

– Já registramos o cachorro do mato em uma outra vez, mas é a primeira vez que filmamos ele se alimentando de gambás. Isso mostra que o ecossistema está em equilíbrio e a espécie não precisa da cidade para sobreviver – afirmou Alex Figueiredo.

De acordo com a Prefeitura de Niterói, está sendo realizado um diagnóstico no Parnit para ampliação de manejo e gestão. Nos últimos anos, o Parque da Cidade, sede do Parnit, recebeu mudas de Palmeira Juçara, Ipê, Jequitibás e outras espécies de vegetação de Mata Atlântica, que desempenham um papel importante na revegetação da área.

– Esses registros mostram que a fauna vem se restabelecendo gradativamente, à medida que o reflorestamento e o aumento de espécies nativas frutíferas se consolidam. Quanto mais a floresta se regenera, maior a população de animais. O trabalho de proteção e recuperação de florestas urbanas de Niterói tem sido reconhecido mesmo a nível internacional, como aconteceu quando a FAO (órgão da ONU) lançou uma publicação sobre florestas urbanas e só duas cidades da América Latina foram citadas: Niterói e Lima. Nossas áreas verdes são oportunidades de desenvolvimento econômico sustentável e de qualidade de vida para a sociedade – comentou  o prefeito de Niterói, Axel Grael.

 

 

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