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Avanço da vacinação traz comércio de Niterói de volta aos trilhos

Lojistas afirmam que maior número de pessoas vacinadas e proximidade de eventos de fim de ano colaboram para maior venda do comércio
Comércio registra maior movimentação no segundo semestre : Foto- Amanda Ares
Comércio registra maior movimentação no segundo semestre / Foto: Amanda Ares

É nítido. O avanço da vacinação tem gerado um maior movimento do comércio de rua e de shoppings em Niterói. Os consumidores mais cuidadosos, agora, com a primeira dose da vacina, já sentem mais confortáveis a voltar às atividades presenciais, entre elas, as compras. Basta uma ida à Rua Paulo Gustavo, em Icaraí, para notar que a circulação de pessoas com sacolas de lojas. Entre os comerciantes, o clima é de otimismo: o avanço do calendário de vacinação é um dos fatores que tem colaborado para impulsionar as vendas e a maior adesão de pessoas em lojas físicas.

O A Seguir: Niterói foi a uma das principais ruas de comércio da cidade para conversar com os lojistas sobre o movimento das lojas neste segundo semestre, o comparativo das vendas em relação ao ano passado e para falar das expectativas da retomada da economia na cidade.

Shopping Icaraí tem grande movimentação de pessoas / Foto: Amanda Ares

Gerente da Zinzane, loja de roupa feminina de Icaraí, Luzia Freire conta que no estabelecimento o movimento tem sido positivo, no passo da vacinação. Depois de um 2020 atípico e de queda acentuada nas vendas, a movimentação na loja começou a voltar aos seus eixos. Mesmo tendo que fechar por um período no ano passado, ela conta que não precisou demitir nenhum funcionário, já que a loja apresentou estabilidade durante boa parte da pandemia. O fluxo maior de pessoas desde o início do ano tem chamado atenção.

– A gente passou bem pela pandemia. Algumas lojas fecharam, mas nós resistimos. Não tivemos retenção de gastos. Nossa loja atinge todas as faixas etárias. As pessoas estão indo mais à rua. Estamos escutando isso das próprias clientes que frequentam aqui. Estamos otimistas em relação ao Natal. Acho que será de muito crescimento. Tem a Black Friday antes também, em novembro – ressaltou.

Foto: Amanda Ares

Vendedora há dois anos da loja de roupas femininas Garage, Letícia Pereira conta que uma das estratégias para atrair clientes é a manter promoções fixas. A placa de saldos fica logo na entrada da loja, fazendo um convite ao consumo em tempos de crise. A maré positiva também resultou na ampliação da loja, que se torna ainda mais atrativa agora que é mais arejada.

Foto: Amanda Ares

– Algumas clientes entram na loja com a ideia de comprar só algumas peças que estão em promoção, mas acabam levando outros itens também. Ano passado as pessoas tinham mais medo de vir para a rua e comprar porque nossa loja era bem menor. Em junho, passamos por uma reforma e expandimos. Muitas clientes deixavam de vir porque só com as vendedoras a loja já ficava cheia. Elas ficavam aflitas. Fechamos em junho por 15 dias para obra, mas voltamos em julho e o movimento tem aumentado, de forma progressiva. Uma estratégia que a loja adotou também foi dar férias para os funcionários e evitar a rescisão.

Uma vendedora da Bijouly, loja de acessórios femininos, definiu o movimento da loja como “constante”. É um entra e sai de cliente o dia inteiro, independente do horário, do dia. Os consumidores, depois de vacinados, têm se mostrado mais seguros.

– Não temos o que reclamar sobre o movimento da loja. Pegamos um público de 20 a 65 anos. E vendemos de tudo um pouco — conta. Percebemos ainda pouca procura por parte dos idosos. Acho que eles continuam evitando ao máximo vir para a rua. No final do ano, acredito que as vendas sejam ainda melhores.

Proprietário da Câmera 1, Renato Moreth diz que o dia dos pais foi muito representativo e mostrou que o comércio está voltando com o vigor do período de pré-pandemia. Ele diz que em relação ao ano passado, o movimento da loja foi muito maior e notou que os clientes mais fidelizados voltaram a frequentar mais o espaço, que tem uma grande seção de presentes.

Foto: Amanda Ares

– Em relação ao ano passado tudo aumentou, né? O movimento, as vendas… A vacinação tem um peso nisso. Mas acho que, para pontuar, o Dia das Mães deu um gás maior, porque é a segunda maior data do comércio e o Dia dos Pais, claro. Agosto foi um mês muito bom para a gente, porque já temos uma seção fixa da loja dedicada aos pais e em agosto, próximo à data, expandimos essa seção. O foco da loja nunca foi o online, apesar de termos uma página no Instagram. Eventualmente um cliente nos procura por lá e a gente viabiliza a entrega, mas a loja física ainda tem um grande peso – explicou.

Para Moreth, além do consumo, o niteroiense sentiu falta do comércio local como ponto de encontro e passeio de fim de semana. Afinal, que morador da cidade nunca “bateu perna” na Rua Paulo Gustavo?

– Estamos vendo os clientes com saudade e retornando, aos poucos. Costumamos ter muito movimento sexta e sábado – conta.

Foto: Amanda Ares

Em relação ao Natal, a expectativa é alta. Moreth diz que, com a carência dos encontros e confraternizações familiares e de empresas, a expectativa é que a procura neste segundo semestre seja ainda maior.

– Agora com a segunda dose chegando para mais pessoas, tem muita gente voltando. No Natal, certamente teremos um movimento ainda maior. Ainda tem a terceira dose, que também está avançando. Sem contar que as pessoas estão com uma carência de se encontrar tremenda.

Foto: Amanda Ares

Para um efeito mais “real” de análise do mercado, comerciantes têm preferem comparar as vendas com o ano de 2019, já que 2020 foi um ano quase perdido para o setor. É o caso da Armadillo, que já tem conseguido observar as vendas se aproximarem do patamar pré-pandemia.

– Como as pessoas ficaram muito tempo em casa, e agora que estão saindo com mais regularidade, acabam considerando consumir mais roupas, voltaram a pensar mais nisso. As pessoas ficaram receosas por um tempo e ficaram muito em casa, isso acabou impactando. Agora elas estão gastando um pouco mais. Estamos tendo uma saída maior de produtos. Tivemos uma venda expressiva no dia dos pais e a expectativa para o segundo semestre, que costuma ser a melhor época do ano para o comércio, é muito boa – explicou o gerente da loja, Bernardo Vianna.

Estabelecimentos do setor de serviços que dependem da movimentação do comércio também reconhecem a evolução da economia. Maria Nascimento trabalha na Browneria, uma loja de doces tradicional localizada dentro do Shopping Icaraí. Há 7 anos trabalhando como vendedora na loja, ela diz que quando a pandemia começou, viu o fluxo de clientes, naturalmente, despencar. Ela admite que o faturamento em 2021 ainda engatinha, mas já se mostra consideravelmente melhor do que no ano passado.

Foto: Amanda Ares

– Não foi o melhor ano para a gente, mas estamos vendo que as pessoas estão mais confiantes, voltando ao normal, se adaptando como podem. A vacina ajudou bastante também, as pessoas se sentem mais confortáveis em tirar as máscaras. O público de idosos também tem aumentado. A Browneria sempre teve um público de muitos idosos, que gostam de sentar aqui para tomar um cafézinho e comer um brownie. O movimento melhorou muito. Acho que é isso, as pessoas se sentem mais seguras após a vacina.

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