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Alta da gasolina faz motoristas de Niterói deixarem o carro na garagem

Por Livia Figueiredo
Preço do combustível muda os hábitos dos niteroienses, que têm optado por outros meios de transporte, como bicicleta e carros por aplicativo
Grande número de pessoas é visto indo trabalhar de bicicleta. Foto- Amanda Ares
Grande número de pessoas é visto indo trabalhar de bicicleta. Foto: Amanda Ares

A alta dos combustíveis tem levado motoristas a rever comportamentos. Uma pesquisa de Opinião Pública Nacional, divulgada esta semana pelo Instituto Paraná Pesquisas revelou que 62,5% dos brasileiros reduziram a frequência de utilização de seu veículo particular, motivados por questões financeiras. Em Niterói, onde o litro da gasolina chega a custar R$ 7,19, tem gente preferindo deixar o carro na garagem e investindo em outros meios de transporte.

É o caso da programadora Carolina Campos, 29 anos. Moradora de Santa Rosa, ela conta que costumava usar o carro até para curtas distâncias. Agora, com a gasolina nas alturas, ela admite que tem feito mais caminhadas e calcula o custo-benefício de qualquer deslocamento.

– Eu tinha mania de ir de carro a qualquer lugar. Agora eu penso duas vezes. Tenho caminhado mais pelo meu bairro, coisa que eu quase nunca fazia, e estou gostando – diz. – Outra mudança pra mim foi começar a pedir mais carro de aplicativo. Porque não é só a gasolina que a gente gasta de carro. Quando não tem vaga na rua, os estacionamentos de prédios e shoppings são bem caros. Dependendo do tempo que a gente vai ficar na rua, vale mais a pena pedir um carro – avalia.

Para quem tem prática, pedalar pelas ruas da cidade é outras opção econômica, saudável e sustentável. O estudante Bruno Menezes, de 26 anos, morador do Jardim Icaraí, adotou a bicicleta como meio de transporte oficial.

– Eu já andava muito mais de bicicleta por causa do trânsito. Agora, então, com a alta dos combustíveis, uso muito de vez em quando. No geral para distâncias mais longas, mas, ainda assim, até mesmo quando vou à alguma praia da Região Oceânica eu prefiro ir de bike. Vou cedinho e aproveito para fazer um exercício.

Seja para fugir do trânsito ou para economizar gasolina, Bruno diz que a grande quantidade de carros nas ruas de Niterói não se limita mais aos horários de rush, ou seja, aqueles de entrada e saída da escola ou do trabalho. Uma forma de escapar do trânsito e, ao mesmo tempo, economizar, é ir pedalando. Além de unir o útil ao agradável, ele também leva em consideração a prática de exercício físico.

— Quando coloco na ponta do lápis, vejo que tem uma boa economia no fim do mês. Com esse dinheiro, posso investir em outras coisas, como comer em um restaurante ou comprar um livro ou outro — completou.

Ao colocar na balança, a jornalista Rosa Mota, 37 anos, afirma, sem hesitar, que a melhor opção, em termos financeiros e ambientais, é a bicicleta. Ela destaca que com a expansão da ciclovia em Piratininga, o trajeto até a praia também melhorou. O ganho financeiro, em particular, é muito significativo.

— A minha relação com a bicicleta não é só de passeio, sempre foi de transporte. Para mim, fica muito mais barato andar de bicicleta do que pegar um transporte público ou até mesmo dirigir. — relata. — Se gasto por dia para me alimentar, beber uma cervejinha e ainda tivesse que gastar com a passagem eu ia sempre me restringir. Fora que é muito gostoso pedalar, eu me sinto até melhor.

O aumento da demanda por bicicleta teve um boom durante a pandemia, com o apelo da necessidade de evitar aglomerações, somada à gradual volta às atividades presenciais. Lojas especializadas na venda de bicicleta viram as vendas dispararem. Enquanto vários setores sofreram com a pandemia, as vendas de “magrelas” só melhoram. A loja Bike Haus, em Icaraí, por exemplo, registrou aumento nas vendas. Quando reabriu, em maio de 2020, tudo que era comprado acabava em três dias, especialmente aos sábados. A loja teve um aumento de 300% nas vendas.

A Amazonas Bike também observou uma grande procura logo após a primeira reabertura, em maio do ano passado, se mantendo em alta durante vários meses, até estabilizar em novembro, e voltar a crescer em 2021. Para dono do estabelecimento, Claudio dos Santos, essa mudança está atrelada não apenas à questão financeira, mas também à reformulação de hábitos e abolição de outros, que acaba desembocando em um novo perfil de ciclista.

Alta da gasolina

A alta da gasolina acumulada do ano tem impactado no orçamento das famílias. No ano, acumula 40,9%. O A Seguir: Niterói tem mostrado o reflexo da alta dos combustíveis em uma série de reportagens. Nesta quarta-feira (20), pela primeira vez na história, o preço médio do gás de cozinha passou de R$ 100 em todas as regiões do Brasil, como mostrou o último levantamento da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP). Em Niterói, a alta, no intervalo de apenas uma semana foi de 1,79%. Na cidade, o botijão de 13Kg pode ser comprado por R$ 109,99 O reajuste atinge cerca de 70% dos domicílios do município, que não contam com gás encanado.

O preço dos combustíveis é efeito do valor do barril do petróleo e da desvalorização do real. No caso da gasolina, ainda há interferência do preço do etanol anidro, que é adicionado. Especialistas apontam que, com a crise hídrica, os canaviais foram prejudicados, o que afetou consequentemente a produção de etanol, o que explica o reajuste da gasolina, fruto de uma crise hídrica e do barril de petróleo, que segue a cotação internacional.

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