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Niterói começa a preparar retomada da ‘vida normal’ após vacinação

Imunização deve terminar em outubro; plano é retomar atividades, mas mantendo cuidados como o uso de máscaras
A vacinação em Niterói, na reta final da primeira dose. Foto- Divulgação Prefeitura
A vacinação em Niterói, na reta final da primeira dose. Foto: Divulgação Prefeitura

O calendário de vacinação avança, apesar das falhas na distribuição do Ministério da Saúde, e até o fim do mês toda a população maior de 18 anos de Niterói terá recebido a primeira dose da vacina. A previsão é que em novembro a imunização esteja completa com a segunda dose, condição para a retomada de todas as atividades no Plano do Novo Normal.

O planejamento da retomada será atualizado em função do aprendizado acumulado durante a pandemia e dos riscos de novas variantes, como a Delta. A Prefeitura deve reunir o Comitê Científico para rever os indicadores e a forma de acompanhamento e controle de riscos. A planilha usada para a definição do indicador síntese, referência para a classificação do estágio de risco e restrições às atividades, já começa a ficar defasada.

A ocupação dos leitos, por exemplo, tinha por base a oferta de 101 vagas na rede do SUS para doentes de Covid, mas, hoje, com a queda nas internações, a reserva de leitos caiu para 80.

A segunda dose

No momento, a preocupação da Secretaria de Saúde é assegurar que a segunda dose da vacina seja aplicada no maior número possível de pessoas. O Ministério da Saúde relatou esta semana que 7 milhões de brasileiros não tomaram o reforço da vacina no prazo previsto – uma taxa em torno de 15% deste grupo.

A adesão dos moradores de Niterói à campanha de vacinação tem sido maior do que as médias do Rio e do Brasil. Perto de completar o chamado para toda a população acima de 18 anos, a cidade já vacinou 88% do público-alvo e deve passar de 90% na semana que vem.

A aplicação da segunda dose ainda demora, vai até outubro, em função do intervalo de três meses para aplicação da AstraZeneca e da Pfizer. Niterói já vacinou 47% do público-alvo. Mas uma parcela entre 6% e 7% das pessoas agendadas não compareceu nas datas previstas. As causas são diversas: desinformação sobre a necessidade de completar a imunização, pelo temor de reação à vacina, como algumas pessoas relataram na primeira dose, e até orientação de alguns grupos evangélicos.

A vacinação seguirá aberta para a primeira dose até o fim da campanha. Quem perdeu a data, pode se apresentar nos postos de saúde. A segunda dose vai até o final de outubro. Depois, em novembro, deve começar a vacinação dos menores, de 12 a 18 anos.

A retomada das atividades

No plano do Novo Normal, apresentado no início da pandemia, no ano passado, pela Prefeitura, com o respaldo do Comitê Científico, formado por pesquisadores da UFF, UFRJ e Fiocruz para ajudar na tomada de decisões no combate à doença, foi definida uma planilha para monitoramento de diversos indicadores, como o número de casos, mortes, internações e oferta de leitos e UTIs. Estes índices definiam o estágio de risco de Covid na cidade, numa tabela que estabelecia alertas Amarelo 1, Amarelo 2, Laranja, Vermelho e Roxo, de acordo com a gravidade do momento. O Verde, que apontava para a normalidade, já se previa, então, só seria alcançado depois da vacinação.

O que a Prefeitura começa a definir agora, completando-se a vacinação, é como será a vida normal. Os alertas emitidos pela Organização Mundial da Saúde e instituições de pesquisa, como a Fiocruz, sugerem que a ameaça das novas variantes como a Delta não permitirá uma retomada sem a adoção de alguns cuidados. O anúncio feito pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que previa um cenário de liberação total, com festas populares, foi considerado precipitado pelo comunidade científica.

A tendência é que sejam adotados alguns protocolos sanitários, medidas de acompanhamento e recomendado o uso de máscaras. Deve-se analisar também a experiência de algumas prefeituras de Minas e de São Paulo que estabeleceram a obrigatoriedade de apresentação de comprovante de vacinação para funcionários e em algumas atividades.

Riscos por todos os lados

Niterói apresenta um fator de risco que preocupa as autoridades locais: o intenso fluxo de pessoas nos municípios vizinhos, especialmente Rio, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá. A campanha de vacinação nestas cidade não obedece o mesmo andamento registrado em Niterói. Em São Gonçalo, por exemplo, toda a população acima de 18 anos já foi chamada a se vacinar. No entanto, o percentual de adesão é em torno de 70% do público-alvo, bem abaixo do índice de imunização de Niterói. No caso da imunização completa, o percentual é hoje de 25%.

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