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A Seguir, o ônibus elétrico: silencioso, sem pane e sem fumaça

Por Amanda Ares
Fizemos uma viagem teste para saber como funciona e como é andar no ônibus movido a energia elétrica no lugar do diesel
Ônibus elétrico está circulando em Niterói em revezamento de linhas e empresas. Foto- Amanda Ares
Ônibus elétrico está circulando em Niterói em revezamento de linhas e empresas. Foto: Amanda Ares

Muitos niteroienses ainda se lembram, saudosos, da época em que os bondes elétricos operavam na cidade. Modelos como os Trolleybus da empresa Vectra, que chegavam até quase 6km por hora rodaram até 1967 na cidade, quando foram substituídos pelos veículos movidos a diesel, que vemos até hoje. Agora, a Prefeitura busca modernizar o transporte público ao trazer de volta um modelo de coletivo elétrico, com uma tecnologia a base de bateria que não consome combustível fóssil.

A nova tecnologia está sendo testada na cidade em linhas que a população já conhece, e o A Seguir: Niterói foi conferir e fez uma resenha da experiência.

Pouco antes da 10h de terça-feira, um ônibus da linha 49-1 da Ingá saiu da garagem da empresa na Rua Teixeira de Freitas, no Fonseca, para encarar uma Alameda bem movimentada. Esta semana, o ônibus elétrico em teste na cidade irá fazer o percurso Fonseca-Centro-Icaraí.

A bordo, uma repórter do A Seguir achou curioso o som que o carro fazia, semelhante ao do metrô. Nada de barulho de ignição ou da trepidação que o motor provocava no ônibus, apenas um pequeno assovio que indicava que algo estava em movimento.

Na garagem, os funcionários comentaram sobre as diferenças e semelhanças entre os modelos, como a redução de emissões de carbono em até 115 toneladas por ano que a substituição iria proporcionar. O carro é um modelo de 2018, ao qual passageiros e funcionários já estão acostumados, com o piso rebaixado.

Ônibus elétrico evitaria 115 toneladas de gases de efeito estufa serem emitidos por ano. Foto: Amanda Ares

A bateria é recarregada em um terminal elétrico, já instalado dentro da garagem da empresa. Segundo o motorista, com 80% de carga o coletivo pode rodar a manhã inteira, fazendo até cinco viagens.

Terminal de recarga instalado na garagem da empresa. Uma carga é suficiente para um ônibus rodar por quatro horas. Foto: Amanda Ares

Chegando na Alameda, começam a entrar os primeiros passageiros. De cara, estranham a novidade e pensam se tratar de uma linha nova, mas são rapidamente instruídos pelo motorista ou pelo cobrador. O espanto da novidade motiva conversas durante toda a viagem. “Tomara que a novidade seja só essa, e não demitam os funcionários. Qualquer dia, a gente vai pegar o ônibus e não vai ter ngm dirigindo”, comenta a passageira, reflexiva.

“Esse passa lá na Igreja?”, “Ainda passa no ponto tal”? Vão questionando. “Sim, é o mesmo 49”, responde sempre Alexandre, o motorista. O tamanho do veículo também vira assunto. “Tão grande e tão pequeno”. De fato, o coletivo tem menos lugares para sentar, são 25 bancos, mas é por ter duas portas.

Passageiros tímidos observam o ônibus novo ao entrar. Foto: Amanda Ares.

O motorista acha o carro mais leve. Não tem um tanque de combustível faz diferença. “Pesado, agora, só o trânsito”, ri. Boa parte do tempo, o assunto dos passageiros foi a novidade. “Semana passada, eu vi”, “Passou na televisão”, “Moço, eu estou nos EUA?”, e “Graças a Deus que tem o lugar do trocador, que não pode perder o emprego”, foram alguns dos comentários ouvidos ao longo do trajeto.

“E se acabar a bateria no meio do engarrafamento?”, perguntou uma passageira. O motorista a tranquiliza, dizendo que o painel mostra o nível de carga, como já fazia o visor de combustível dos ônibus. E ele ainda festeja um problema a menos: pane seca, que acontece com frequência nos veículos movidos a diesel. “Também não bate motor, o que poupa o carro”, problemas que o veículo elétrico não sofre.

“Pesado, só o trânsito”, comenda o motorista da linha 49-1 Ingá, desta manhã.
Foto: Amanda Ares

A viagem seguiu silenciosa, sem panes de motor e sem fumaça. O secretário municipal do Clima, Luciano Paez, diz que cada veículo substituído por um ônibus elétrico significa menos 115 toneladas de gases emitidos por ano, o que vai ajudar Niterói a reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

Testes

As empresas Araçatuba e Viação Pendotiba também farão testes com o modelo nas próximas duas semanas. Os consórcios vão poder conhecer a tecnologia, fazer avaliações operacionais de custo, de manutenção e entender a eficiência dos veículos. O que é possível dizer é que o ônibus em teste possui autonomia para 250 quilômetros, com até 4 horas para recarga das baterias, tem vida útil de 16 anos, com uma troca de baterias prevista para quando chegar aos oito anos de uso. Possui ar-condicionado, carregadores de celular e tem o piso baixo, com acesso mais fácil para os passageiros, e o valor da passagem, segundo garante a Secretaria de Mobilidade, será o mesmo dos outros veículos, R$ 4,05.

A meta da Prefeitura de Niterói é ter 10% da frota de ônibus da cidade composta pelos ônibus elétricos, até 2024. Em um primeiro momento serão comprados 40 ônibus (5% da frota), e em seguida, mais 5%, via licitação. Serão 80 ônibus no total, cada um ao custo de cerca de R$ 2 milhões.

O coletivo vai circular nas linhas 49, 61 e 62 nos primeiros 30 dias, e no mês seguinte, o ônibus passará a ser testado nas linhas Oceânica 1, 46, 48 e 33.

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