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Passageiros enfrentam rotina de espera por ônibus em Niterói após redução da frota por empresas

Por Sônia Apolinário
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Rodoviários relatam que empresários reduziram frotas em função da diminuição dos passageiros e temem demissões
ônibus no terminal
A espera por um ônibus pode chegar até quase uma hora. Fotos: Sônia Apolinário

No terminal rodoviário presidente João Goulart, no Centro de Niterói, o entra e sai de ônibus é tão grande que é comum, ao longo do dia, congestionarem por alguns momentos os acessos dos veículos às diferentes plataformas. Nelas, passageiros aguardam, em filas, o momento do embarque. Dependendo do lugar para onde vão, o tempo de espera pode variar de alguns minutos a até quase uma hora.

Nesta terça-feira (24), a professora e cabeleireira Juliana Santos chegou na plataforma momentos depois da saída de um ônibus da linha 580 com destino a Santa Bárbara, onde mora. A próxima partida seria em 40 minutos, informou o funcionário da empresa. Sem opção, se posicionou no início da fila que rapidamente se formaria atrás dela.

“Essa linha é horrível e ficou pior depois da pandemia. Teria outras opções para chegar em casa, mas ou o ônibus me deixa em lugares perigosos ou a baldeação faz a passagem ficar mais cara. Só me resta esperar. Faço o possível para vir pouco ao Centro”, disse Juliana.

A linha pertence à empresa Ingá. Funcionários admitem que a frota, no momento, está reduzida em 30%. Isso porque, segundo eles, o número de passageiros também está menor – cerca de 20% menos do que já foi.

Rodoviários da empresa Ingá admitem que a frota, no momento, está reduzida em 30%

Na Viação Pendotiba, rodoviários também percebem que o número de passageiros está menor do que antes da pandemia do Coronavírus. Porém, por lá, os intervalos entre os veículos voltaram ao “normal”, variando em função do horário. De manhã cedo, o 48, por exemplo, sai a cada quatro minutos e depois passa para 10 minutos; já o 37, por volta da hora do almoço, tem saídas a cada 20 minutos.

Entre os rodoviários, o clima é de incerteza e medo de demissões. Afinal, a conta que reúne aumento do preço do combustível com diminuição de passageiros tem como resultado diminuição de margem de lucro das empresas. Alguns funcionários acreditam que a decisão de reduzir o número de ônibus circulando é uma forma das empresas pressionarem o governo para que liberem aumento do valor das passagens.

Na Araçatuba, o número de carros circulando durante o dia subiu dos 15, da época da pandemia, para os atuais 25. Rodoviários da empresa informam que há uma expectativa de aumentar ainda mais o número de carros circulando, principalmente na linha 30 (Martins Torres).  Já com a linha 31 (Beltrão– Ponta D’Areia, que não entra no terminal) a história é outra. A operação está sendo feita com 10 carros por dia, com intervalos de 40 minutos, durante a semana; dois veículos, no sábado e apenas 1 no domingo.

Para a design de sobrancelhas Joanna Conceição, andar de ônibus em Niterói é “um perrengue”. Moradora do Caramujo, ela conta que costuma esperar no ponto cerca de 40 minutos por um veículo. Segundo ela, antes da pandemia, a situação era “menos pior” e, agora, ela tem certeza que “vai piorar”.

A recepcionista Joze Freitas só tem uma linha que lhe atende, a 33 (Miramar), quando se trata de ir e voltar ao Centro, de casa, em Jurujuba:

“O ônibus não demora muito. Não é 100%, mas é o que temos, não dá para fazer nada”, afirmou.

Na opinião da vendedora aposentada Leila Moreira, é fácil resolver o problema de transporte público na cidade: basta colocar mais ônibus circulando.

“Eu moro na Engenhoca e uso principalmente o 41. Essa linha é uma porcaria. Estou há mais de 20 minutos na fila esperando um ônibus chegar. Só tivemos uma pequena melhora, que foi antes da pandemia, quando colocaram ar refrigerado nos carros. Ouvi dizer que vão mexer em algumas linhas. Com certeza, vai piorar para o nosso lado. Nada nunca é para melhorar para o nosso lado”.

A Seguir Niterói solicitou uma série de informações para o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro. Até o fechamento desta edição, recebeu como retorno que as questões foram encaminhadas para as empresas que se encarregarão de enviar as respostas.

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