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A reforma do Ensino Médio: GayLussac apresenta projeto de “educação sem filtro”

Educadora Luiza Sassi fala da nova grade curricular, voltada para o mercado profissional mas também para um projeto de vida
A Diretora do instituto GayLussac, Luiza Sassi : Foto- Divulgação GayLussac
A Diretora do instituto GayLussac, Luiza Sassi / Foto: Divulgação GayLussac

Uma grande reforma no Ensino Médio. É o que propõe o novo cronograma lançado pelo Ministério da Educação. Entre as principais mudanças está a inclusão de itinerários de formação, que oferecem ao estudante a possibilidade de se aprofundar em uma ou mais áreas de conhecimento e/ou na formação técnica e profissional. O projeto é ambicioso: ampliação de carga horária, de 2.400 horas para 3 mil horas totais, e uma nova estrutura curricular. As mudanças serão implementadas de forma gradual e começam a valer no ano que vem. Diretora do GayLussac de Niterói, Luisa Sassi conta que a principal mudança é justamente a oferta ao aluno de caminhos mais flexíveis na grade curricular. O grande desafio das escolas é saber como colocar isso em prática.

A nova organização valerá para todas as escolas públicas e privadas do país e terá início em 2022 com o primeiro ano do Ensino Médio. A implantação será de forma progressiva. O segundo ano deverá ser reformulado apenas em 2023. A expectativa é alcançar as três séries do Ensino Médio em 2024.

O Ensino Médio passará a ser estruturado em dois grandes blocos. Um, o currículo geral básico, que tem como referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Este bloco define competências e habilidades para quatro áreas do conhecimento (Linguagens e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias, Ciências da Natureza e suas tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas). O outro bloco é a novidade, a inclusão de itinerários formativos, que oferecem a possibilidade de o estudante se aprofundar em uma ou mais áreas de conhecimento e/ou na formação técnica e profissional.

Novos caminhos na educação

A reforma prevê cinco itinerários, ou seja, cinco caminhos que permitem um conhecimento mais aprofundado na área de conhecimento escolhida. Luiza explica que o maior desafio é oferecer um leque mais amplo de possibilidades, já que, uma vez escolhido o itinerário, não é possível trocá-lo ao longo do Ensino Médio.

No caso da escola, a organização do escopo do projeto da reforma do Ensino Médio começou há dois anos. Para isso, o GayLussac contou com o apoio de uma consultoria voltada para organização do que seria produzido pela escola em termos de construção de projeto, dando o suporte necessário para a criação da arquitetura desse novo Ensino Médio.

– No Ensino Médio tradicional, o aluno tinha apenas um itinerário e, agora, com a reforma, existe a possibilidade de mais caminhos. O aluno pode escolher até cinco itinerários e isso muda significativamente, porque existe uma base nacional comum. Agora é como se tivéssemos uma segunda parte, em que o aluno pode se aprofundar naquilo que se identifica mais. O grande desafio das escolas é saber como colocar isso em prática, de tal modo que não se restrinja as trajetórias dos alunos. Estamos montando uma grade de proposições em que o estudante tenha a maior flexibilidade possível, para que ele possa ter mais liberdade na sua escolha com as ferramentas que oferecemos. Se já é cedo decidir a profissão com 18 anos, imagina com 14 ou 15 anos – pontuou.

Outra mudança da reforma do Ensino Médio é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado no processo seletivo para o ingresso em diversas universidades, que também será atualizado, conforme as diretrizes, em 2024.

– O prenúncio desse novo Ensino Médio já vem há três anos. Isso gera muita ansiedade para os alunos. Nós nos organizamos para criar uma arquitetura de modo que não fossemos pegos de surpresa. Um ponto interessante previsto dentro da programação dessa reforma é uma área que se chama “Projeto de Vida”, que é quando a gente começa a pensar junto com o aluno as perspectivas em relação ao seu autoconhecimento, suas ambições. É um grande mapa de possibilidades para o período pós-escola.

Profissão e projeto de vida

Um aspecto que Luiza diz ser preciso levar em consideração é a reforma circunscrita ao Ensino Médio, sem antecipações. Ela defende que o aluno está na escola também para aprender a “ser no mundo” e não apenas para se desenvolver na profissão escolhida e se preparar para um mercado que é sempre volátil. Portanto, antecipar essa escolha, para o Ensino Fundamental, não seria a melhor opção, logo a escola deve sempre estar atenta ao tempo do aluno. Isso ajuda a escola a ser um espaço em permanente transformação.

Esse novo pilar, de projeto de vida, dialoga com a filosofia do GayLussac. A escola já tinha um programa de orientação profissional, mas ele era opcional. O aluno escolhia se participava ou não na primeira série do Ensino Médio, podendo fazer em algum momento do Ensino Médio.

A diretora explica que hoje, no mercado cada vez mais capitalista, o aluno fica muito preocupado com a questão da sobrevivência, de formas de ganhar dinheiro e esquece de algo que é fundamental ao longo do percurso: o autoconhecimento para discernir com mais propriedade as escolhas apesentadas. Ela diz que é preciso fazer o aluno compreender que a escolha de vida tem que estar atrelada ao prazer de carregar um fazer profissional durante a vida. E ressalta que, esses estereótipos de que determinada profissão ganha dinheiro e outras não, são bem ultrapassadas e que hoje a formação dos alunos é voltada para profissões que ainda estão por vir.

– Acho que não é uma lógica tão cartesiana. A gente precisa desenvolver no aluno a identificação com a escolha dele, para que ele possa fazer aquilo com vontade e, assim, proporcionar os desdobramentos profissionais e, consequentemente, a possibiidade de êxito profissional. Os estudantes são impactados pela sociedade, que impõe pseudo-esteriótipos que dizem que, se você seguir tal modelo, necessariamente, terá sucesso. Mas o sucesso também tem uma relação com o autoconhecimento. Acho que a gente tem mania de antecipar o futuro, mas pensar no futuro é pensar no hoje bem feito. Temos que garantir ao aluno o conhecimento historicamente para construir um futuro promissor – ressaltou.

O “Ensino Médio dos sonhos”

O GayLussac, na semana passada, realizou um encontro com a consultoria Cocriar para levar os esboços das ideias ao público, ou seja, o primeiro desenho do projeto. Em um primeiro momento, foi realizado um levantamento de sonho de produção, o “Ensino Médio dos sonhos”, e um debate sobre o conhecimento consistente. Foi criado um cronograma interno de encontros com os alunos de todo o Ensino Médio, com os pais e os professores para estabelecer uma rede e fomentar as ideias do projeto da reforma. Com a ampliação de carga horária, prevista pela reforma, Luiza explica que existem chances de todo o Ensino Médio, eventualmente, virar integral.

O encontro com a consultoria Cocriar / Foto: Divulgação GayLussac

A inauguração do Centro Tecnológico

Em outubro, o GayLussac inaugura o primeiro Centro Tecnológico de Inovação. Será um prédio todo voltado para o programa STEAM ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática. O objetivo é contemplar uma série de projetos reais e integrados com TI, gamificação, arte, design, robótica e inteligência artificial. O espaço também terá um amplo refeitório e uma área para os alunos que fazem o bilíngue.

– Não vamos abrir mão de algumas disciplinas como a Língua Espanhola, que é de um valor enorme para a escola. Ganhamos o prêmio em 2020 da melhor escola de ensino de espanhol da Embaixada da Espanha. Temos o Mandarim, a partir do sétimo ano. Já temos o Pensamento Computacional, que está na grade, a partir do sexto ano. Além da disciplina de Estudos dos Direitos Humanos e Salvaguarda no currículo regular. Acho que isso é estar no tempo do aluno. É muito importante estar atrelado aos seus princípios, aquilo que o aluno está vivendo. Em resumo, a pergunta que baseou toda a nossa arquitetura foi: que alunos queremos formar? E isso significa uma formação consistente, sem modismos efêmeros. Uma educação “sem filtro”.

E completou:

– O aluno precisa escrever bem. Quanto mais idiomas ele souber, maior o trânsito dele no mundo. Ele precisa ter conhecimentos históricos para entender o comportamento e os movimentos do mundo e do Brasil, além de questionar o que está sendo passado para ele. Eu sempre digo que se o aluno que não aprende a programar, será programado. Devemos garantir um repertório rico de valores e de formação acadêmica no tempo em que o aluno está vivendo.

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