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A química que deu certo: conheça a história da confeiteira Carolina Guzzo, que abriu seu primeiro ateliê em Niterói

Por Livia Figueiredo
| aseguirniteroi@gmail.com
Após oito anos na indústria farmacêutica, Carolina abre seu próprio espaço com a proposta de culinária contemporânea, que combina sabores e texturas e descarta recheios industrializados
Carol ateliê 3
A confeiteira Carolina Guzzo, vencedora do programa “Que Seja doce”, do GNT, abre seu primeiro ateliê em Niterói

Novas combinações de sabores e texturas, doces mais equilibrados e sem usar
produtos prontos ou recheios industrializados. A base é da confeitaria clássica, mas com um toque mais moderno. Essa é a proposta de Carolina Guzzo, 39 anos, que abre seu primeiro ateliê em Niterói, em Icaraí. Com a possibilidade de abrir seu próprio espaço, depois de oito anos trabalhando na indústria farmacêutica, área de sua formação, Carolina resolveu arriscar. Tirou o avental da gaveta e junto de uma escumadeira, pincel, espátulas e forminhas, ela resolveu pensar em fórmulas na cozinha. A química deu certo e deu liga.

Vencedora da edição mais recente do “Que Seja Doce”, do GNT, e expositora assídua da Feira Babilônia Feira Hype, Carolina está onde sempre quis estar. A vontade de expandir sempre esteve em seus planos, porém, a ideia só pode ser concretizada em outubro deste ano, quando Carolina saiu do Rio e retornou, finalmente, para Niterói. Finalmente porque há algum tempo ela tinha como desejo voltar para a cidade, onde cursou faculdade de Farmácia na UFF.

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– Eu sempre fui a pessoa encarregada de fazer doce para a família, mas não enxergava isso como uma profissão. Já estava meio insatisfeita com minha área, então comecei a pesquisar cursos de confeitaria, e isso, de certa forma, me mostrou que era possível. Na época, estava trabalhando como farmacêutica. Até que fui demitida em 2016 e não tive a menor dúvida. Eu não queria disparar currículo e me reinserir no mercado. Eu queria mesmo era trabalhar com confeitaria – conta.

A confeiteira Carolina Guzzo. Foto: Arquivo Pessoal

O começo de tudo

Ciente de que o Senac já oferecia um curso totalmente dedicado à confeitaria, Carol resolveu se inscrever, com a intenção de adquirir um conhecimento técnico, mais aprofundado. “Como farmacêutica, a base química fazia sentido para mim. Sempre achei interessante”, ressaltou. O curso deu o caminho das pedras para a confeiteira – ou o empurrão que faltava. O conceito da marca começou a ser estruturado no decorrer das aulas. Foi quando Carol começou a ter contato com doces que escapavam ao lugar comum e que, de certa forma, dialogavam com sua proposta de doces mais contemporâneos.

– Eu queria sair um pouco desses doces mais batidos como brownie, brigadeiro, com leite ninho. Criei minha marca pautada nessa ideia: não usar produtos iguais ao de todo mundo e industrializados, como óreo e nutella. O meu objetivo é fazer, sempre que possível, combinações diferentes. Meus bolos e tortas têm como característica serem menos doces. Eu quero que as pessoas sintam o sabor daquilo que estão comendo e não só aquele carregamento de açúcar – explica.

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Banoffee autoral: base de biscoito crocante, caramelo de banana coberto por uma mousse de doce de leite; decorado com ganache de baunilha e bananas passadas na manteiga. Foto: Divulgação

Para substituir ingredientes mais tradicionais, Carol abusa da criatividade. No lugar do chantily, ela opta pelo buttercream, completamente caseiro. O bolo de chocolate, carro-chefe da casa, leva iogurte na massa, o que a torna mais macia e leve. Ele também pode ser acompanhado de um mix de amêndoas, brigadeiro e geleia de morango artesanal, para dar uma quebrada. Outro que sai muito é o bolo vencedor do “Que seja mais doce” no início do ano: o bolo de frutas com ganache de chocolate branco (massa de limão com mirtilo, geleia de framboesa, finalizado com ganache de chocolate belga). A outra linha é a de tortas. Como é responsável por toda a produção, Carol conta que trabalha com somente dois tipos de tortas: banoffee, versão autoral, no lugar da banana crua com doce de leite, a torta ganha uma releitura com um mix de caramelo de banana, uma mousse de doce de leite e é decorada por uma ganache de baunilha. A outra é a cheesecake.

Cheesecake tradicional assada, base de biscoito, recheio de cream cheese e cobertura de geleia de frutas vermelhas. Foto: Divulgação

– A minha cheesecake é aquela com geleia caseira com pedaços da fruta. Faço artesanalmente para que a pessoa tenha aquele contraste do recheio que é bem cremoso e leve, junto à acidez da geleia, que dá aquela suculência – conta.

Além de bolos e tortas, Carol também trabalha com barras de chocolate, algumas crocantes com castanhas, outras caramelizadas e de maracujá, essa última é novidade ainda. Para complementar o cardápio, os bombons recheados, pintados à mão com manteiga de cacau, destinados às pessoas que desejam presentear. Os bombons, todos de camada fina com chocolate belga, são sortidos e em sabores mais tradicionais e outros mais  variados, como de cupuaçu e cheesecake. A ideia é proporcionar uma mini experiência de sobremesa. Eles podem ser personalizados de acordo com a demanda ou o cliente pode optar pela versão já formulada do ateliê.

Bombons pintados sabor: cheesecake/ base de biscoito de amêndoas, ganache de cream cheese, pate fruit de morango. Foto: Divulgação

Os pedidos podem ser feitos tanto pela sua página no Instagram, pelo aplicativo do Goomer, quanto pelo iFood. O pedido pode ser retirado ou feito por delivery. Com a proposta de agilizar sua linha de produção, Carol explica que o ateliê serviu como uma luva, além de ter um ambiente totalmente dedicado ao cliente, desassociado de sua casa. Apesar de não trabalhar com produtos expostos no seu próprio ateliê, Carol explica que há possibilidade de pronta-entrega, caso o produto desejado esteja disponível no iFood, também com a opção de retirada, ou no Goomer.

Além dos doces por encomenda para casamentos, festas de 15 anos, eventos corporativos, a confeiteira diz que está trabalhando também numa linha natalina, com dois bolos, como o de especiarias (canela, cravo, noz moscada), com recheio de nozes, além do red velvet. Essa mistura de sabores e texturas dialoga com o conceito do ateliê, que carrega no nome o selo de “confeitaria contemporânea”.

– Tudo que eu faço eu tento colocar bastante sabor. Acho que é melhor colocar uma fruta do que misturar um monte de produtos industrializados e muito processados. O contemporâneo passa por essa questão de misturar ingredientes diferentes, misturar texturas e sabores, um crocante, um recheio cremoso, uma fruta que dá uma acidez. Você sente camadas, texturas, com uma roupagem diferente. Usar coberturas como buttercream e ganache também fazem referência a isso, no lugar da pasta americana e do glacê, que são mais tradicionais – pontua.

Todo fim do mês, geralmente no último fim de semana, dependendo das datas festivas, Carol participa da feira Babilônia Hype, realizada no Parque das Figueiras, na Lagoa, no Rio. Além de tortas e bolos selecionados, ela leva a éclair, exclusividade da feira.

Bolo espatulado com ganache, e decorado com flores desidratadas; a decoração é escolhida pelo cliente, assim como o sabor. Foto: Divulgação

A relação com a cidade

Quando não está imersa em invenções na cozinha, Carol gosta de fazer passeios ao ar livre. Correr no Campo de São Bento, passear na orla, ir às padarias de fermentação natural da cidade, sentar em um lugar, tomar um café ou um gelato e circular pela cidade.

– Niterói é muito agradável. Já tinha um tempo que queria voltar para cá. Dá para fazer tudo a pé, é prático. Fiz faculdade aqui, tenho um carinho pela cidade. Gosto muito daqui – conclui.

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