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A laje verde do Mário; conheça a horta do Caneco Gelado

Por Sônia Apolinário
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No alto do restaurante Caneco Gelado do Mário tem uma horta com mais de 50 itens plantados, em 150 metros quadrados
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Entre os maracujás, “Seu Mário” (D) e o funcionário Tony que o ajuda a cuidar da horta. Fotos: Sônia Apolinário

Abóbora, maracujá, couve, batata doce, melão e limão são apenas alguns dos 50 itens de uma horta que está cobrindo de verde uma até então cinzenta laje, no Centro de Niterói. O local é um tradicional endereço da cidade, mais conhecido, porém, pelo seu bolinho de bacalhau e pastel de siri, entre outras delícias. Quem pensou em Caneco Gelado do Mário acertou em cheio.

Há seis meses, Mário Martins levou para o alto do imóvel um hobby iniciado na antiga parte aberta, nos fundos do restaurante. Lá, quem reinava era uma parreira que, “seu Mário” conta já rendeu mais de 400 cachos de uva. Ele também colheu de lá vários abacaxis.

– Na varanda, a ideia era ter um jardim e não uma horta. O espaço era aberto, antes da reforma que ampliou o salão. Comecei a tirar as plantas de lá porque não tinha mais espaço para elas – conta ele.

 

“Seu Mário” entre maracujás e abóbora, na horta

Nascido na cidade portuguesa de Braga, Mário costumava plantar cebolas com o avô, quando ainda tinha apenas seis anos de idade. Ao chegar em Niterói, aos 10 anos, por um pequeno tempo, manteve o hábito de mexer com a terra, no quintal da casa onde a família foi morar, no morro da Providência, em Charitas. Logo, porém, começou a trabalhar em um restaurante e foi se afastando das plantas.

Sua trajetória de lavador de pratos a dono de um dos estabelecimentos mais tradicionais de Niterói, não lhe deixou muito tempo para cultivar a terra e a atividade de “agricultor” ficou “adormecida” – até ele criar o jardim e, agora, a horta, em um espaço de 150 metros quadrados.

Na véspera da visita do A Seguir Niterói, “seu Mário” tinha colhido de lá 5 kg de maracujá e outros 5 kg de batata doce, exibidos com muito orgulho. Para chegar na horta é preciso passar pela cozinha do restaurante e subir vários lances de escada.

Aos 80 anos, “seu Mário” sobe e desce os degraus devagar, quase que diariamente. Geralmente, escoltado por Tony Washington de Jesus Santos. Há um ano, ele é o estoquista do restaurante. Vindo do interior de Sergipe, sentia saudade do sítio que cuidava na sua cidade natal. Aos poucos, foi ajudando o patrão no seu hobby de cultivo de plantas. Para sorte de “seu Mário”, Tony é um verdadeiro “menino do dedo verde”.

– Gosto muito do meu trabalho no restaurante, mas meu amor é pela terra e pela plantação – diz Tony.

Na horta, ele mostra para “seu Mário” os pequenos figos que começaram a brotar e exibe com orgulho o enorme pé de couve. O patrão se encanta com os maracujás ainda no pé e a abóbora já bem grande. Um nabo que começa a despontar é encontrado entre as folhas do tubérculo, para alegria dos dois.

Na laje também crescem milho, maxixe, coentro, alecrim, alfavaca, maçã, tomate, hortelã e morango. Dos pés de café, “seu Mário” já colheu 800 gramas de grãos que ele mesmo torrou na frigideira do restaurante e fez a bebida para sua equipe, formada por 51 funcionários.

– Que diferença o gosto do café que eu colhi para esses que a gente toma por aí, nem se compara – comenta.

No restaurante, ele aproveita somente alguns itens que pega da horta. Basicamente, todos os temperos. O maracujá  recém colhido iria virar batida. Porém, o destino da maior parte da colheita “seu Mário” leva para casa e dá para os funcionários.

Na sua opinião, ao invés de piscinas, os prédios de Niterói deveriam ter hortas. Se dependesse dele, todos os imóveis da cidade teriam laje verde de produtos plantados.

– A horta é um hobby e você não tem ideia como fico feliz lá em cima. Ela roubou meu coração dos bolinhos de bacalhau – diz seu Mário, em alusão ao petisco mais famoso do seu restaurante, que se tornou referência em Niterói .

Dicas

Mesmo para quem tem experiência em lidar com a terra, como Tony, perder algumas plantações para as pragas é comum. Segundo ele, “toda horta atrai bichinhos” e, para se livrar deles, é preciso medicá-la.

Contra pulgão, a dica de Tony é borrifar na planta uma mistura de uma colher de sopa de detergente neutro diluído em um litro de água. E ele avisa logo: quando chega o frio, chega também o período das lagartas.

Couve ao fundo e alecrim, em primeiro plano

 

 

 

 

 

Tony informa que, esta época do ano, é propícia para a plantação de coentro, alecrim e alfavaca. Mas, atenção: o alecrim, quando está crescido, gosta de muito sol. Porém, quando está brotando, não gosta tanto assim. Ele admite que alecrim é uma planta “difícil de pegar” e recomenda regar uma vez por dia, observando se a terra está ou não encharcada – porque o alecrim não gosta de muita água.

No momento, Tony vive a expectativa de acompanhar o crescimento de vários “pezinhos” recém plantados: ervilha, agrião, açaí e caju.

 

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