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A Covid pode influir na eleição?

Por Por Luiz Claudio Latgé
Eleitores que temem a doença podem evitar sair para votar mais que os que acreditam em uma gripezinha
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Axel Grael em campanha, na praia de Icaraí: incertezas sobre o dia da eleição

Entre todas as incertezas geradas pela disputa eleitoral – a corrida entre os candidatos, alianças, campanha na TV e nas ruas, mobilização nas redes sociais -, que nem sempre as pesquisas conseguem capturar, as eleições deste ano trazem um elemento novo: qual o efeito da pandemia nas eleições? Como o eleitor vai reagir? Vai se apresentar para votar? Vai evitar o risco? Se o eleitor ainda tem medo de sair às ruas e teme as urnas eleitorais, isso pode beneficiar um candidato em particular diante de outro?

A questão se torna ainda mais relevante depois das eleições americanas, onde o eleitorado se dividiu entre os que temiam a Covid e votaram antecipadamente pelos correios e aqueles que deixaram para votar no dia da eleição. O Partido Democrata de Biden, associado a um maior cuidado em relação aos riscos da pandemia, teve maioria dos votos postais, chegando a mais de 80% em alguns redutos. Os republicanos de Trump, que desdenhava da Covid e foi omisso na definição de políticas públicas de combate à doença, teve votação melhor com o voto presencial nas urnas e perdeu no voto por correio mesmo nos estados que o partido indicou os delegados.

A eleição municipal não costuma ser movida pelo embate ideológico, como as eleições nacionais. Mas o papel das prefeituras nas ações de enfrentamento da doença certamente terá peso na disputada. A Prefeitura adotou recorreu a um comitê científico para definir as medidas de enfrentamento à pandemia, com a ampliação da rede hospitalar, que ganhou o Hospital Oceânico, a testagem em massa, e regras de isolamento. De outra parte, houve quem defendesse deixar a cidade aberta, como sugeria o Presidente Jair Bolsonaro.

As pesquisas de opinião mostram que a gestão do Prefeito Rodrigo Neves mereceu a aprovação de 65% dos moradores da cidade. O que sugere que as caravanas dos candidatos que descartam o uso de máscaras não deverão alavancar votos. A questão em relação à Covid passa a ser, então: quem vai votar e quem não vai votar? Isso pode beneficiar a um partido mais do que o outro?

Niterói costuma apresentar índices altos de participação nas eleições municipais. Em 2016, 81,97% dos 370.958 eleitores habilitados se apresentaram às urnas. Será que este número vai se repetir ou a Covid pode afastar uma parcela importante dos eleitores do pleito? Pode acontecer aqui e em outras cidades brasileiras o fenômeno americano que dividiu o eleitorado entre cautelosos e menos cuidadosos? Com a diferença de que nos Estados Unidos, o leitor tinha a escolha de votar pelos correios, o que permitiu um número recorde de votantes em todos os tempos. Aqui não haverá esta opção; quem não comparecer, não registra seu voto. Caso isto aconteça, pode beneficiar mais a algum candidato do que a outro? Pode impactar no resultado da eleição?

O número de eleitores de eleitores nas urnas pode ter impacto também na eleição para a Câmara Municipal. Em 2016, o Vereador mais votado, ou melhor, a vereadora Taliria Petrone Soares, teve 5.121 votos. Caso os comparecimento seja menor, provavelmente a média de votos nos candidatos vais cair. Mas, ainda assim, o efeito é reduzido em função do quociente eleitoral, que definiu a grande maioria dos eleitos nas últimas eleições.

Além dos planos de governo, a pandemia pode ter efeito sobre as eleições.

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