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Por Niterói tem recorde de mortes por Covid e pode ter ‘janeiro mais triste da história’
Cidade teve 37 mortos na pior semana de toda a pandemia, de acordo com os boletins diários da Prefeitura
covid 14

O ano não começa com boas notícias para Niterói. A primeira semana epidemiológica de 2021 registrou o mais alto número de mortes por Covid desde o início da epidemia: 37. Até então a semana com maior número de vítimas fatais tinha acontecido em maio, com 28 óbitos. A informação aparece nos boletim divulgados diariamente pela Prefeitura e organizados por semanas epidemiológicas pelo A Seguir Niterói, de acordo com o padrão da OMS.

Recorde de mortos, na primeira semana epidemiológica de 21, de acordo com os boletins diários da Prefeitura, consolidados pelo A Seguir Niterói

O aumento de casos e óbitos acontece desde novembro, mas nos primeiros dias do ano a cidade registrou novos e piores números da doença, um atrás do outro, a cada dia. O risco é que o mês se transforme no “janeiro mais triste da história”, como advertiu alertou a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo.

Recorde de casos

Os cientistas alertaram em dezembro para o risco do aumento de casos resultar num número de mortes sem precedentes. Em Niterói, o alerta foi feito pelo Comitê Científico de assessoramento da Prefeitura e pelos epidemiologistas da UFF, que recomendaram imediato lockdown na cidade, às vésperas das festas de fim de ano. O resultado do relaxamento no isolamento já aparecia no aumento de novos casos, em torno de 200 por dia, nesta semana 1.442 novos casos, e agora também aparece no registro de mortes.

Gráfico mostra novo pico da doença, pelo registro de novos casos. Fonte: Boletins da Prefeitura

Recorde de internações no SUS

De acordo com o boletim divulgado neste sábado pela Prefeitura, Niterói chegou a 24.638 casos de Covid e 661 mortes, desde o início da epidemia. Existem ainda 198 pessoas hospitalizadas, em leitos ou UTIs, apenas na rede do SUS. Um número maior do que o número de vagas reservadas para pacientes com Covid que a cidade oferecia há duas semanas, de acordo com o relatório de monitoramento exibido na página da Prefeitura, que reportava 194 vagas. Este número, no entanto, pode ser ampliado, rapidamente.

Internações em leitos e UTIs do SUS batem recordes seguidos, pelos registros da Prefeitura

O boletim fecha a primeira semana epidemiológica do ano, a SE 1. A sequência de registros de óbitos não tem precedentes: quatro, seis, dois, seis, sete, oito e quatro por dia. O maior registro até então acontecera na semana 20, em maio do ano passado, com 28 mortes. Era, então, o pico da doença. Mas a Secretaria de Saúde do Município já reconhece que a cidade vive uma segunda onda da doença e que o momento de maior incidência acontece agora.

Número de mortes pode crescer

O número de mortos que aparece neste último boletim ainda pode crescer. O número é constantemente revisado, para incluir casos suspeitos que não foram registrados na época do óbito – e para alocar os falecimentos na data em que realmente ocorreram. Este trabalho, em Niterói, aparece no painel da Covid exibido no SIGeo, um sistema de gerenciamento de informações da Prefeitura. Neste quadro, já aparecem pelo menos 50 mortes a mais do que revelam os boletins.

Os números divulgados nos boletins diários da Prefeitura reportam casos e internações pela data de notificação do exame. É o padrão adotado pela a OMS e por todos os países do mundo, diante da rapidez do avanço do Coronavírus. Estes dados, mais tarde, são revistos e organizados por data do falecimento. Assim, uma morte ocorrida em maio, por exemplo, e só confirmada pelo exame de Covid em junho, vai ser registrada na data em que efetivamente aconteceu. Também se acrescenta nos registros mortes suspeitas por problemas respiratórios que não apareceram na época. Desta forma, a Secretaria de Saúde do Município estabeleceu que o período com maior número de mortes aconteceu efetivamente em maio, não na semana 20, mas na semana 19, e não foram 28 mortes, mas 58. Esta atualização, porém, só será feita com o tempo, a defasagem é em torno de seis semanas para a atualização dos dados. No momento, a única comparação possível é pela série fornecida pelos boletins diários por data de notificação, que aponta 37 casos contra 28, trazendo para o início de 2021 o novo pico de mortes da Covid.

O janeiro mais triste

No final do ano passado, a epidemiologista da Fiocruz Margareth Dalcomo advertia que as festas de Natal e de fim de ano provocariam o descontrole da doença, lebvando a doença das ruas para dentro das casas. Dizia, então: “Teremos o janeiro mais triste da nossa história porque nós falhamos em trazer uma consciência cívica da gravidade do que estamos vivendo”.

Estava certa. Janeiro apenas começa e os efeitos do relaxamento estão apenas começando. Especialistas acreditam que os números só vão aparecer totalmente a partir nas próximas semanas.

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