Niterói por niterói

Lupulinário

Por Sônia Apolinário

Sônia Apolinário é jornalista tendo trabalhado nos principais jornais do país, sempre na área de Cultura. Também beer sommelière, quando o assunto é cerveja e afins, ela se transforma na Lupulinário.
Publicado

Três opções em Niterói para comer, beber e dormir no mesmo local

Foto: Divulgação

Um passeio perto de casa pode ganhar ares de viagem, por conta da experiência que se desfruta. Poder comer, beber e dormir, no mesmo local, cercado de belezas naturais, por exemplo, tem grandes chances de proporcionar uma experiência desse tipo. Em Niterói, pelo menos três lugares preenchem esses “requisitos”.

Um deles começou como restaurante e, de tanto que os clientes pediram, opções de hospedagens foram criadas; outro foi exatamente o contrário, tendo uma casa paradisíaca como ponto de partida. O terceiro já “nasceu” com pousada e restaurante funcionando ao mesmo tempo. São eles: Taberna do Darwin, Itacoatiara Beach House e Camarote Itaipu.

Os nomes já “entregam” o cenário dos estabelecimentos, mas não contam tudo. A história da Taberna e da Beach House se entrelaçam. É por elas que esse passeio começa.

Serra da Tiririca

 

Fotos: Divulgação

 

Desde 2012, a Taberna do Darwin funciona no Engenho do Mato, nas franjas do Parque Estadual da Serra da Tiririca. O restaurante foi literalmente construído pelo chef Márcio Sabino, todo com material reciclado. Até então, sua experiência como construtor tinha sido uma casa na prainha de Itacoatiara – acertou quem apostou na atual Beach House.

O fim do casamento levou Sabino, de 63 anos, para o exterior. Foram dois anos aprimorando suas habilidades de chef em locais como Ilhas Fiji e Polinésia Francesa. Quando voltou para Niterói, ele escolheu a serra para se refugiar e montar seu restaurante. Antes, ele chegou a ter outros estabelecimentos, na cidade.

O nome foi sugestão da filha Jéssica, também chef e atual administradora da Beach House. Isso porque o restaurante, distante cerca de 20 Km de Icaraí, fica em uma área pela qual passou o naturalista britânico Charles Darwin, no início do século 19. A Taberna começou como uma pizzaria que só funcionava à noite.

“Naquela época, foi difícil atrair público, quase desisti”, admite Sabino que acabou por se beneficiar do movimento de um antigo restaurante perto do seu, o Verdejante, fechado há anos.

Ele foi implementando mudanças aos poucos e o restaurante se tornou refúgio de famílias que buscavam um local especial para comemorações, onde passavam o dia inteiro e, depois, ficavam com preguiça na hora de voltar para casa. O primeiro chalé foi inaugurado em 2016. Atualmente são dois, ambos com capacidade para três pessoas, fora a própria moradia de Sabino. O “complexo” ocupa todo o terreno de 500 metros quadrados.

Atualmente, a Taberna funciona de sexta-feira a domingo. O restaurante, com 40 lugares, oferece menu degustação a preço fixo, com um cardápio que prioriza os ingredientes da temporada. A hospedagem está “atrelada” ao restaurante, para garantir a experiência que Sabino deseja. Assim, precisa ser reservada com antecedência.

“Recebo mais cariocas e estrangeiros do que niteroienses. Porém, moradores da região oceânica gostam de passar o final de semana aqui. Eles dizem que é uma forma de viajar sem precisar ir longe”, conta Sabino.

 

Da serra para o mar

Fotos: Divulgação

Em Itacoatiara, a pandemia do Coronavírus mudou o rumo dos negócios da Beach House – para melhor.

Primeiro, trouxe Jéssica Hulme Sabino de volta para casa. Há dois anos, ela morava no exterior, onde trabalhava em restaurantes. Estava na Sicília (Itália) onde um lockdown, em 2020,  a deixou quatro meses de braços cruzados.

De volta a Niterói, ela passou a ajudar a mãe, Monica Hulme, na administração da Beach House. O negócio começou há sete anos, na casa onde toda a família já morou. Design de interiores, Monica deu uma nova “vibe praiana” para a casa que havia se tornado muito grande para ela morar e começou a alugar, timidamente. O sucesso da iniciativa a animou a construir mais dois estúdios no mesmo terreno.

“Os hóspedes vinham pedido refeições. Para atende-los, iniciamos o serviço de restaurante sendo que, em abril do ano passado, decidimos abrir o Pitanga também  para o público”, explica Jéssica que trabalha ao lado do marido, Marcelo Weiler. O casal mora em um dos três imóveis da propriedade, enquanto Monica vive em uma casa próxima.

No terreno de 1.500 metros quadrados, 600 metros quadrados são somente de jardins. Foi lá que o restaurante se instalou. As cinco mesas que acomodam um total de 25 pessoas é totalmente ao ar livre. Uma rede gigantesca é bastante disputada pelos clientes. A casa tem uma saída direto para a areia da prainha de Itacoatiara.

Como na Taberna, o Pitanga oferece menu degustação, com ingredientes sazonais, mas só mediante reserva. O interessado receberá as opções da semana por e-mail e escolherá com antecedência. Esse mecanismo, segundo Jéssica, foi criado para evitar desperdícios de alimentos.

A pandemia tornou as acomodações objetos de desejo de muitas pessoas que vinham alugando os espaços por períodos maiores, para usar como home office. O restaurante, por ser ao ar livre, também atraiu mais atenção e, atualmente, reservas estão sendo feitas com um mês de antecedência.

 

Apesar de estarem juntos, o funcionamento do Itacoatiara Beach House e do restaurante Pitanga são independentes. Tanto que, quem preferir, pode fazer sua própria comida nos espaços, que são alugados equipados.  O maior deles é a Casa Amarela, com três suítes e capacidade para seis pessoas; o estúdio comporta duas pessoas. Faz parte dos planos da família a construção de mais dois estúdios, no mesmo local.

“Recebemos muitas pessoas do Rio de Janeiro e daqui de Niterói também. Nas férias, muitos mineiros vieram para cá”, conta Jéssica.

 

Praia de Itaipu

Foto: Sônia Apolinário

Uma casa abandonada na praia, perto do Morro das Andorinhas, foi transformada, por três empresários, no Camarote Itaipu. No local, pousada com direito a spa e um restaurante, que também atende na praia, mudaram o perfil do local – tanto em termos de tipo de estabelecimento quanto de público.

Foram quase dois anos de preparação, até a inauguração, em outubro de 2020, em plena pandemia. A pousada tem 18 suítes. O preço da diária varia de acordo com o tamanho e a vista, se mar (frente) ou montanha (fundos). O restaurante tem 120 mesas em dois ambientes ao ar livre e outras 30 na areia.

“Desde o início, o Camarote atrai pessoas bem arrumadas, que não estão vindo para a praia, mas para o próprio restaurante”,  conta Karoline Rocha, relações públicas do local e esposa de um dos sócios.

A pousada tem ficado lotada, nos finais de semana. Nos outros dias, quem ficar sem vontade de voltar para casa pode arriscar pedir um quarto que deve conseguir. O serviço foi recentemente ampliado com a opção Day Use que começa com um café da manhã no restaurante.

O cardápio do Camarote Itaipu oferece de frutos do mar a carnes, passando pelos típicos petiscos de botequim. O local não aceita reservas. Em finais de semana, a espera por uma mesa no restaurante pode passar de uma hora. Quem está acomodado, geralmente só se levanta após o pôr do sol.

 

 

Leia mais: Beber, comer e dormir nas pousadas cervejeiras

COMPARTILHE