3 de abril

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Andrea Ladislau

Andrea Ladislau é graduada em Letras e Administração de Empresas, pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. Tem especialização em Psicopedagogia e Inclusão Digital. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional a pessoas do Brasil inteiro.
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Toda mulher precisa se casar e exercer a maternidade?

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O instinto materno não é tão instintivo. Ele é um amor conquistado,

O Dia Internacional das Mulheres suscita a reflexão sobre um tema, no mínimo, intrigante: a maternidade e os desejos pessoais em exercer esse papel. Ainda nos tempos de hoje, existe uma pressão social psicológica, muito comum, e falsamente inocente, que cobra e impõe regras em cada etapa da vida das mulheres.

Por exemplo, podemos destacar a pressão que elas sofrem para se casar, e em seguida ter filhos. Quais os impactos psicológicos que essa pressão pode acarretar?

A mulher é educada, desde muito pequena, a seguir alguns princípios e modelos tradicionais. Já na infância é ensinada a valorizar e buscar a maternidade. As meninas vão crescendo com a ideia de que um dia terão que ser mães.

Com a chegada da puberdade e suas alterações físicas, fica evidente que seu corpo está preparado para isso. Pelo menos, é o que se entende. E com o passar dos anos a pressão só aumenta. No final dos vinte e começo dos trinta anos, esse tema se torna, cada vez mais, presente na vida delas.

Algumas aceitam com naturalidade porque já planejaram quando e como querem ser mães; outras se sentem pressionadas porque ainda não decidiram viver essa experiência maternal.

A sociedade acaba julgando essas mulheres, independente, de suas decisões. E o que é ser mãe? Qual o sentido da maternidade? Normalmente, a maternidade é associada ao espírito de generosidade que a mulher possuí.

Mas se ela não deseja ser mãe, pode ser rotulada como egoísta, sem se levar em conta, seus sonhos e expectativas pessoais. O respeito a essa individualidade é fundamental, pois somos todos feitos de histórias e, nem sempre, vamos compactuar das mesmas ambições e desejos.

E mais do que isso, o instinto materno não é tão instintivo, não é algo que aparece primitivamente como a necessidade de comer ou de dormir. Ele é um amor conquistado, é a construção de afiliação com uma pessoa e a vontade de criar laços. A realidade mostra que, para ser mãe a mulher deve se sentir segura e não motivada pela pressão alheia.

Seguindo nessa linha de raciocínio, ainda esbarramos outras situações que podem contribuir para a opção de não se tornar mãe, como por exemplo: históricos familiares inconcebíveis em torno da maternidade, provocando o medo e insegurança nessa mulher, a ponto de não querer se arriscar em repetir situações desastrosas; ou problemas de saúde que a impeçam de engravidar.

Seja qual for o motivo, é um assunto muito íntimo e pessoal que reforça a subjetividade das escolhas. Por isso, não cabe julgamentos ou imposições. Casar e ser mãe não é uma obrigação.

Na verdade, o que vemos é que a pressão que as novas mães enfrentam não tem nada a ver com a cobrança sobre as mulheres que decidiram não ter filhos, porque não querem ou porque não podem, mas sim passa por um questionamento social massacrante, que não leva em conta seus desejos e suas vontades.

Aniquilando o querer desta mulher, obrigando-a a ouvir o chamado maternal, sem respeitar a lei da vida que deixa claro que esse chamado faz parte da essência de cada alma feminina.

Portanto, que o mês da mulher seja uma ótima oportunidade de reflexão sobre o respeito pelas opções de vida de cada uma.

Cada um sabe de si e sabe de seu momento. A bagagem de vida, os sonhos, desejos, medos, experiências e angústias, falam por si. Que as mulheres se sintam, cada vez mais, em paz e comprometidas com suas decisões. E que, desejando ou não, casar e ter filhos, sejam respeitadas e acolhidas em seus desejos pessoais.

Dra. Andrea Ladislau / Psicanalista

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