Niterói por niterói

Melina Amaral

Jornalista niteroiense, atuou como repórter no GLOBO e na Globo.com. Com pós-graduação em Marketing e Gestão de Pessoas, esteve à frente do setor de Comunicação de escolas de Niterói. Apaixonada por fotografia, dá os seus cliques nas horas vagas.  É mãe do André e da Ana Carolina.
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Solidariedade não tem idade

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Mais um ano chega ao fim, mais um ciclo se encerra e aquela chama de empatia e generosidade logo se acende. Bom mesmo seria se ela permanecesse acesa ao longo do novo ano que chega. Melhor ainda, se esses sentimentos forem estimulados em nossos lares, conscientizando também as crianças sobre a importância do cuidado com o próximo.

 

De acordo com dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas Social, a pandemia impactou de forma mais acentuada os mais pobres. Em 2019, o percentual de pessoas com renda abaixo da linha de pobreza era de 10,97%, o que representava cerca de 23 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade. Em setembro de 2020, devido ao auxílio emergencial, o número de pessoas abaixo da linha de pobreza caiu para 4,63% (9,8 milhões de brasileiros). Mas no primeiro trimestre deste ano, com a suspensão do auxílio e retorno para o Bolsa Família, o índice atingiu 16,1% da população (34,3 milhões de pessoas).

 

Um estudo realizado pela Harvard Business School e intitulado “Sentir-se bem ao doar: os benefícios (e custos) a quem faz caridade” demonstrou que fazer o bem não apenas beneficia quem recebe, mas traz diversas consequências positivas para quem o pratica. Como diria Machado de Assis: “A gratidão de quem recebe um benefício é sempre menor que o prazer daquele que o faz”.

 

E a construção de uma sociedade mais colaborativa, com cidadãos conscientes e comprometidos começa agora, e pelas crianças. Famílias e escolas têm um papel importante no incentivo ao comportamento solidário dos pequenos, por meio do exemplo, do diálogo e de ações efetivas, sempre com muita naturalidade.

 

A solidariedade não deve ser imposta, sob pena de perder seu real sentido. Ela deve ser proposta, bem explicada e pode começar com gestos simples como o acolhimento a um colega novo da escola, um empréstimo de brinquedo a outra criança, o ato de ceder o lugar a alguém, a ajuda a um familiar debilitado ou até mesmo com a participação nas tarefas da casa. E sabe aquela velha história do “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”? Pois é, ela continua valendo. Os adultos precisam fazer a sua parte.

 

Na contramão do consumismo exacerbado, podemos, por exemplo, incentivar nossas crianças a doarem brinquedos antigos, mas que ainda estejam em bom estado, assim como roupas e calçados, sempre que ganharem algo novo. Mas é importante que elas participem ativamente desse processo, que entendam o sentido do gesto e se sintam confortáveis com ele. Quanto mais envolvida a criança estiver, mais ela gostará de participar e estará disposta a repetir.  

 

No que diz respeito à formação, cada vez mais, destaca-se a relevância de trabalhar as habilidades socioemocionais na infância e juventude, para além dos conhecimentos teóricos e práticos. Por isso, desenvolver a empatia e o altruísmo, estar atento aos desafios e dificuldades alheias, ser compreensivo e cordial também podem ser sinônimos de um futuro sucesso profissional.

 

Se a #GRATIDÃO anda em alta, então que sejamos realmente agradecidos por tudo o que temos e que possamos “não soltar a mão de ninguém” nessa corrente do bem!

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