Niterói por niterói

Sem Crachá, com Passaporte

Além de jornalista de política há 30 anos, sobre o qual escreve coluna neste A Seguir: Niterói, Silvia Fonseca é apaixonada por viagens e gastronomia. Rodou o mundo, experimentou carne de cobra na China, ouriço no Japão, gordura de porco crua na Rússia… E escargots em Paris, que ninguém é de ferro. Mas ama os sabores de Niterói. Sobre esse seu outro lado a jornalista escreve no instagram @semcrachacompassaporte e passa a dar dicas aqui.
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Sempre haverá as laranjeiras

cacau
Cacaus maduros em árvore na Herotides de Oliveira, quase esquina com Roberto Silveira, em Icaraí

Eu fico encantada, apaixonada, de queixo caído com árvores frutíferas pelas ruas das cidades. Guardo muitas outras lembranças de Atenas, por exemplo, mas o cheiro das laranjeiras em flor ou carregadas de frutos é uma das coisas mais especiais daquela cidade imensa, que até assusta quando vista do alto, do avião…

E o cheiro de limão siciliano na Costa Amalfitana, na Itália? Eu me emociono só de encostar numa árvore dessa, ainda mais no meio da rua…

Pois hoje passei pela Rua Herotides de Oliveira, em Icaraí, Niterói, e mais uma vez fiquei encantada com o pé de cacau, cheio de frutos, com galhos debruçados sobre a calçada, como a nos cutucar e dizer que, sim, a vida é bela.

A casa fica ali bem perto da Roberto Silveira. Num trecho árido, com barulho, trânsito intenso, mas há o pé de cacau! E ainda um de acerola na casa ao lado da “dona” do cacau.

Lembrei de Jorge Amado, da Bahia, misturei com café, com os terreiros de secagem de café em Minas. Misturei tudo e voltei para casa feliz. Para sempre aquele trecho da rua me trará essa lembrança, como a das Laranjeiras de Atenas.

Depois, dando uma volta rápida num trecho pequeno de Icaraí, vi pés de cacau também na Lopes Trovão na quadra da Praia de Icaraí, na Otávio Carneiro quase chegando no Campo de São Bento, na Belisário Augusto perto da pedreira… E havia um lindo na Paulo Gustavo, perto da Álvares de Azevedo, que algum espírito ruim conseguiu fazer secar, não sei como. Aliás, por que será que Icaraí tem tanto pé de cacau?

E há também jambeiros, como um que deixa a calçada cor de rosa na Osvaldo Cruz. Na Otávio Carneiro, quase esquina com Paulo Gustavo, há um pé de amora. Na Tavares de Macedo com Otávio Carneiro, pequenos, ainda discretos, mas juntos uns dos outros, uma goiabeira, uma jabuticabeira e um limoeiro. Sabores de uma cidade que vive.

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