Niterói por niterói

Melina Amaral

Jornalista niteroiense, atuou como repórter no GLOBO e na Globo.com. Com pós-graduação em Marketing e Gestão de Pessoas, esteve à frente do setor de Comunicação de escolas de Niterói. Apaixonada por fotografia, dá os seus cliques nas horas vagas.  É mãe do André e da Ana Carolina.
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Segurança e acolhimento na volta às aulas

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O ano de 2022 mal começou e fevereiro já deu o ar de sua graça. É hora de organizar o material escolar, arrumar as mochilas, separar os uniformes, pois é dada a largada para mais um ano letivo. Mas o que pode ser um momento de alegria e reencontro para algumas crianças, também pode trazer ansiedade e insegurança para muitos pequenos e seus familiares, ainda mais neste período de incertezas devido ao atual cenário da pandemia.

 

No que diz respeito aos riscos da Covid, só há uma resposta possível: Vacinação. Com a imunização das crianças e o respeito aos protocolos sanitários será possível manter as escolas de portas abertas, evitando os já conhecidos prejuízos do ensino remoto.

 

Mas esse retorno às atividades escolares envolve muitos outros fatores, que merecem especial atenção. E talvez a palavra-chave de todo esse processo seja Acolhimento.   

 

A novidade, a mudança ou mesmo o recomeço podem causar angústia e apreensão, seja em adultos ou em crianças. Sair da zona de conforto gera incômodo. Mas esse medo do desconhecido é perfeitamente normal. E, justamente por isso, devemos lidar com naturalidade e apostar sempre no diálogo. Explicar para os pequenos a importância da rotina escolar e envolvê-los nessa preparação, para que se sintam parte de todo o processo, devem ser os primeiros passos, mesmo com os mais novinhos.

 

Os pais podem (e devem) falar sobre as próprias inseguranças, demonstrando empatia com os sentimentos dos filhos, mas também devem demonstrar confiança de que tudo vai dar certo. Vale ainda relembrar os próprios tempos de escola, suas vivências e saudades. E não criar grandes expectativas sobre a adaptação, além de não estabelecer comparações, respeitando o tempo e a individualidade de cada um. Etapas essas fundamentais para o sucesso.

 

No(s) primeiro(s) dia(s) de aula, o ideal seria que as crianças fossem para a escola acompanhadas pelos pais ou por alguém com quem se sintam seguras. E o trajeto até o colégio pode ser um bom momento para reforçar a confiança e estabelecer combinados como quem irá buscá-la e a que horas, ainda que elas não tenham a noção exata de tempo. Mas um simples acordo pode trazer mais segurança. O choro, se houver, também não deve ser abafado ou menosprezado, deve ser acolhido com um abraço apertado, um afago e uma fala que demonstre compreensão.

 

A cumplicidade entre família e escola no processo educativo é essencial. As instituições de ensino devem estar preparadas para bem receber as famílias em suas diversidades e acolher os alunos em suas singularidades, desenvolvendo atividades que integrem, socializem e ofereçam um ambiente mais receptivo.

 

Na sala de aula (ou mesmo em casa), o uso da literatura nesse momento de adaptação também tem grande valor. Livros infantis que abordem o tema podem auxiliar no entendimento sobre as transformações pelas quais a criança irá passar, nessa nova etapa estudantil. Assim como os objetos de apego que, quando permitidos pela escola (com os protocolos de saúde da pandemia, essa regra foi alterada em algumas instituições), também trazem segurança emocional para os miúdos. 

 

E alguns gestos simples como um pequeno desenho na palminha da mão, uma fitinha amarrada ao pulso, um bilhetinho no estojo ou na lancheira também podem ajudar a diminuir a dor da separação.

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