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Lupulinário

Por Sônia Apolinário

A coluna Lupulinário é escrita e editada pela jornalista Sônia Apolinário e completou 4 anos em julho.
Publicado

Rio de Janeiro já conta com quatro vinícolas

Vista geral da vinícola que fica às margens da Estrada Real

Quando se fala em vinho nacional, é possível que o Rio de Janeiro não seja lembrado como região produtora. Pois aqui vai um aviso. Já são quatro vinícolas em atividade no Estado. Isso porque a caçula delas, a Vinícola Real das Ruínas, “vingou” e entrou para o time.

Trata-se de mais uma “cria” da pioneira Vinícola Inconfidência (Paraíba do Sul), que inspirou todas as iniciativas que estão brotando em terras fluminenses, na região serrana. Em São José do Vale do Rio Preto, a família Tassinari, tradicional produtora de café, já “colhe” suas primeiras garrafas de vinho. Enquanto isso, a família Eloy amplia os negócios com um vinhedo em Areal e outro em Itaipava (Petrópolis). Há outros empreendimentos em início de formação.

A Vinícola Real das Ruínas fica em frente à Inconfidência, entre a localidade de Inconfidência (antiga Sebollas) e o distrito de Secretário (Itaipava), em um trecho às margens da Estrada Real. O nome deve-se ao fato de, na propriedade, ter uma ruína do século 18. No local funcionou um entreposto de fiscalização do ouro que chegava ao Rio de Janeiro vindo de Minas Gerais.

O projeto que está sendo amadurecido pelo engenheiro florestal Victor Sátiro de Medeiros envolve turismo gastronômico e histórico.

“A região faz parte da História do Brasil colônia. A ruína é tombada pelo Patrimônio Histórico. Queremos recuperar todo o entorno e criar um local de visitação”, conta Medeiros que é perito da Polícia Civil do Rio de Janeiro na divisão de combate a crimes ambientais.

A área onde está sendo desenvolvida a vinícola faz parte de um condomínio formado por 20 propriedades rurais. Em 2016, Medeiros comprou 30 mil metros quadrados de terras e usou 1 mil metros quadrados para iniciar sua plantação – até 2025, ele espera chegar a 5 mil metros quadrados de área cultivada.

A primeira colheita está prevista para julho de 2022. Antes, em abril, ele começa a construir sete chalés que terão como grande atração a vista panorâmica para o vinhedo e o vale de Secretário. Das mil mudas plantadas, em 2018, 60% são de Syrah que, segundo Medeiros, está se mostrando como sendo “a” uva do Rio de Janeiro. O restante se divide entre sepas de Sauvignon Blanc, Merlot e Tannat.

É pelo caminho aberto pela Inconfidência, que todos os outros vinhedos estão trilhando. Isso significa que a técnica que deu certo lá (dupla poda, que driblou a grande umidade da região) está sendo seguida por todos, que também compartilham o mesmo técnico responsável.

Para obter uma resposta positiva do solo da região, Medeiros conta que foi necessário fazer uma bela recuperação. Ele diz que já sabia que encontraria terras exauridas pelo histórico de uso pela pecuária extensiva. Foi sua vontade de desenvolver um trabalho relacionado com cultura agrícola, aliada à paixão por vinhos, que fez com que apostasse na criação de uma vinícola. Segundo ele, o uso de biomassa já está permitindo que o solo volte a reunir suas características originais.

Medeiros acredita que sua primeira safra renda 500 garrafas de vinho e que sua bebida terá, ainda, pouca estrutura. A título de comparação, a Inconfidência, depois de onze anos de trabalho, começa, agora, a produzir 5 mil garrafas e a ter os primeiros reconhecimentos em forma de premiação. Até o momento, ele e os seis sócios já investiram cerca de R$ 1 milhão na criação do vinhedo. Segundo ele, outros R$ 2 milhões serão necessários para a implantação total do projeto.

“A Inconfidência é a inspiração de todos nós. As vinícolas próximas umas das outras não significam concorrência, mas um incentivo porque podemos nos unir para compra de insumos, por exemplo. No momento, a demanda por vinho, na região, é maior do que a oferta”, comenta Medeiros.

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