Niterói por niterói

Melina Amaral

Jornalista niteroiense, atuou como repórter no GLOBO e na Globo.com. Com pós-graduação em Marketing e Gestão de Pessoas, esteve à frente do setor de Comunicação de escolas de Niterói. Apaixonada por fotografia, dá os seus cliques nas horas vagas.  É mãe do André e da Ana Carolina.
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Pequenos cidadãos

Melina Amaral

Falar sobre a Primeira Infância – período compreendido dos 0 aos 6 anos – é lançar luz sobre uma fase cientificamente reconhecida como a mais importante para o desenvolvimento humano, a chamada “janela de oportunidade”, momento em que o cérebro é mais maleável, permitindo o desenvolvimento das estruturas neurológicas e de cerca de 90% das conexões cerebrais. Nos primeiros seis anos de vida, capacidades biológicas, psicológicas e sociais são adquiridas, e todas as vivências desse período têm forte impacto na formação do indivíduo, o que reflete na aprendizagem, no comportamento e nas emoções, para o resto da vida.

De acordo com Núcleo Ciência pela Infância, o desenvolvimento cognitivo e intelectual sadio depende do ambiente no qual a criança está inserida e a construção da autonomia e o potencial de aprendizagem estão diretamente relacionados com a qualidade do vínculo e da comunicação estabelecidas com os adultos com os quais se relacionam.

Vencedor do Nobel de Economia nos anos 2000, o americano James Heckman desenvolveu um importante trabalho no qual destacou que o investimento na primeira infância é uma estratégia eficaz para o crescimento econômico. Segundo ele, o retorno financeiro para cada dólar investido, especialmente no cuidado de crianças em situação de vulnerabilidade social, pode variar de 7% a 10% ao ano.

 

Mas será que as cidades estão preparadas para bem receber seus pequenos cidadãos?

Pensando nas diversas questões que envolvem a primeira infância, a fundação holandesa Bernard van Leer traz um questionamento para líderes, gestores públicos, arquitetos e urbanistas, de diversos países: “Se você pudesse vivenciar uma cidade a partir de 95 cm (a altura de uma criança de 3 anos) o que mudaria?”

A resposta está na Rede Unban95, uma iniciativa global da fundação, que tem como objetivo promover, desenvolver e fortalecer programas e políticas públicas voltadas ao bem-estar e à qualidade de vida de bebês, crianças pequenas e seus cuidadores, com foco no planejamento urbano, nas estratégias de mobilidade e nos programas e serviços oferecidos a eles. 

No Brasil, 24 cidades integram a Urban95, entre elas Niterói, única representante do Estado do Rio. Desde março de 2020, quando aderiu à Rede Urban95 Brasil, nosso município vem recebendo formação para servidores e capacitações técnicas com consultores e especialistas da Fundação Bernard van Leer e do Instituto Cidades Sustentáveis.

E os primeiros resultados já começam a ser vistos. Lançado no fim do mês de outubro, o projeto Rotas Caminháveis propõe a criação de trajetos interativos e seguros para crianças e seus familiares. Ao longo de um trecho de 1,4 Km no bairro do Barreto, diversas vagas de carros deram lugar a uma ciclofaixa e a “vagas-verdes”, qualificando a região para ciclistas e pedestres, impactando na qualidade do ar, diminuindo a poluição visual e favorecendo experiências mais promissoras para o desenvolvimento dos pequenos niteroienses. A experiência piloto foi iniciada pela zona norte da cidade, mas a prefeitura já tem previsão de expandir a proposta para outras regiões.

 

Caminhos de Histórias

Um outro projeto, selecionado pela Fundação Bernard van Leer como “Boa prática para primeira infância”, aguarda apoio financeiro, público ou privado, para ser implementado em Niterói. Idealizado pela fonoaudióloga, psicomotricista e especialista em neurociências da aprendizagem, Adriana Amaral, em parceria com o economista André Leal de Sá, a arquiteta Veronica Leal de Seixas Mattos e o designer Márcio Mattos, o projeto Caminhos de Histórias pretende aproximar a literatura infantil e a natureza das crianças pequenas e suas famílias.  

Inspirado em iniciativas internacionais que oportunizam a leitura em praças públicas, o Caminho de Histórias deseja criar circuitos de fábulas e contos, divididos e continuados em cenas, em estações fixas desenvolvidas com material sustentável, em espaços verdes públicos por onde transitam famílias com crianças de 0 a 6 anos.

“O nosso projeto prevê o uso de materiais planejados com material sustentável e resistente, de baixo custo, inclusive de manutenção. As histórias escolhidas promoverão uma aproximação com a cultura local e brasileira, privilegiando personagens e seres da natureza. Histórias diferentes serão ambientadas em espaços diferentes, simultaneamente, gerando possibilidade de trocas ou complementações. Utilizando o pensamento por trás do Desenho Universal da Aprendizagem, as histórias poderão abrir caminho para ações de inclusão, uma vez que todas as crianças serão contempladas em suas necessidades, podendo ganhar complementos tecnológicos, com recurso de aplicativos para crianças cegas, por exemplo”, destaca Adriana Amaral.

Essas e outras ações tornarão nossa cidade um lugar melhor para as crianças, e uma cidade boa para as crianças é uma cidade boa para todos!

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