Niterói por niterói

Melina Amaral

Jornalista niteroiense, atuou como repórter no GLOBO e na Globo.com. Com pós-graduação em Marketing e Gestão de Pessoas, esteve à frente do setor de Comunicação de escolas de Niterói. Apaixonada por fotografia, dá os seus cliques nas horas vagas.  É mãe do André e da Ana Carolina.
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Nasce um bebê e mudam-se os papéis

Agora a mãe sou eu_Thais 1
Foto: Arquivo pessoal

Um filho nunca chega sozinho. É uma espécie de super combo que vem com criança + insegurança + realização + culpa + amor incondicional. Com mais alguns trocados, adicione privação de sono, refeições geladas, banhos a jato e porções extras de aprendizado. Ah, e sem esquecer do brinde: palpites que você não pediu, mas ouviu mesmo assim!

 

E esse pacote meio esdrúxulo e fascinante chamado maternidade, que coloca lado a lado sentimentos tão distintos, que te faz explodir de alegria enquanto chora litros, que te apavora e ao mesmo tempo te transforma na Maria Marruá, que te enche de expectativas, mas faz o castelinho de areia ruir em fração de segundos, ele chega para todas, sem exceção. Seja mãe de barriga ou do coração, seja mãe que também é pai, pai que é mãe, avó que é mãe, seja marinheira de primeira, segunda ou terceira viagem (porque cada experiência é única e cada filho é uma caixinha de surpresas), ninguém passa incólume por essa metamorfose.

 

“Antes de ser mãe eu só sabia ser filha, ser cuidada, tudo era pra mim. Hoje, esse papel de cuidar é meu. Eu aprendi a me dar até quando estou exausta. E vamos catando cavaco, escalando essa montanha chamada maternidade, pra chegar lá em cima e descobrir que temos que descer e começar a subir de novo. Todo dia!” A constatação da escritora e ilustradora niteroiense Thaís Chimenti Leão, mãe de três meninas, deu origem ao livro “Agora a mãe sou eu – Crônicas e desabafos de uma mãe como outra qualquer”.

 

O trio que inspira Thaís

A publicação, escrita durante a pandemia, nasceu de uma necessidade da autora de falar sobre os próprios sentimentos, de se organizar internamente e dividir com os leitores um pouco de sua louca rotina.

 

“Eu voltei a escrever durante o isolamento, como uma válvula de escape, e colocar pra fora tudo o que eu estava sentindo foi a minha tábua de salvação com três crianças em casa, sendo uma ainda bebê, aulas on-line, preocupações e sem um minuto para respirar. Então, comecei a publicar meus textos e algumas amigas me incentivaram a reunir todos em um livro”, explicou Thaís, que é formada em Belas Artes e também lançou um livro infantil (“As guloseimas da vovó Glorinha”).

 

Editado pelo Bloco Narrativo e com projeto gráfico de Bruno Drummond, “Agora a mãe sou eu” garante boas risadas com antigas lembranças e divertidas peripécias de Thaís com o seu trio de meninas, mas também emociona ao revelar os desafios encarados pela escritora, que perdeu a mãe durante sua primeira gestação.

 

“Eu sabia que não poderia tê-la comigo e tive que virar uma chave (não me pergunte qual) para sair do luto e viver a alegria de estar grávida. E a gente não tem escolha a não ser seguir a vida, depois de uma perda dessas. Minha filha veio para nos lembrar que a vida se renova. Mas até hoje, dez anos depois, eu ainda me pergunto como seria se minha mãe estivesse aqui”, desabafou.

 

O livro fala de amor, de maternidade, de saudade, fala sobre ser filha e ser mãe, mas também fala sobre cortar dezenas de unhas, tomar banhos de suco, organizar festinhas, mas principalmente sobre a construção de memórias afetivas.

 

“Eu recebi uma carta, escrita à mão, da mãe de uma amiga, que pegou o livro pra ler e viajou para a época dos filhos pequenos, teve lembranças de momentos que ela disse que já tinha esquecido. Isso é lindo demais! Eu chorei pra caramba com essa carta. Adoro saber como o livro toca cada um que lê”, destacou Thaís. 

 

O livro de crônicas pode ser adquirido diretamente com a escritora, em seu perfil no Instagram (@thaischimentileao), ou pelo site do Bloco Narrativo (bloconarrativo.com).

 

Feliz Dia das Mães! <3

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