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Melina Amaral

Jornalista niteroiense, atuou como repórter no GLOBO e na Globo.com. Com pós-graduação em Marketing e Gestão de Pessoas, esteve à frente do setor de Comunicação de escolas de Niterói. Apaixonada por fotografia, dá os seus cliques nas horas vagas.  É mãe do André e da Ana Carolina.
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“Lugar de autista é em todo lugar”

Autismo (Imagem_Unsplash)
Imagem: Unsplash

Inclusão e respeito: são essas as bandeiras levantadas pela campanha Abril Azul, em 2022. Com o tema “Lugar de autista é em todo lugar”, frase da mãe e ativista Fátima de Kwant, e com a hashtag #AutistaEmTodoLugar, a campanha nacional foi lançada no último dia 02, por ocasião do Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, para melhor informar a população e assim combater a discriminação com pessoas que apresentam o chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA).

 

De acordo com dados do mais recente relatório do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) sobre a prevalência de autismo nos Estados Unidos, divulgado em dezembro de 2021, cerca de uma a cada 44 crianças, aos 8 anos, é diagnosticada autista (dados coletados em 2018). Um aumento de 22% em relação ao estudo anterior (uma a cada 54), divulgado em 2020. O Brasil se baseia nesses dados, pois ainda não conta com números oficiais. Em 2022 teremos, pela primeira vez, uma pergunta sobre autismo no Censo que será realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

A campanha deste ano é estrelada pelo simpático André, personagem autista da Turma da Mônica criado em 2001 por Mauricio de Sousa. Naquele ano, o Instituto (que carrega o nome do cartunista) foi convidado pela Universidade de Harvard a desenvolver um projeto com o objetivo de alertar a população sobre os sintomas do autismo.

 

Passados mais de 20 anos, a luta por uma sociedade mais inclusiva e acolhedora para os indivíduos com TEA continua. E é importante destacar que essa condição de saúde, caracterizada por déficits de diferentes níveis em duas áreas do desenvolvimento: a comunicação social (socialização e comunicação verbal e não verbal) e o comportamento (interesse restrito e movimentos repetitivos), manifesta-se de maneira única em cada indivíduo, mesmo em gêmeos idênticos. Mas vale lembrar que todas as pessoas com TEA podem e devem conquistar seu lugar na sociedade, uma vez que apresentam aptidões e talentos específicos em determinadas áreas do conhecimento. 

 

Sinais como a dificuldade em manter contato visual por mais de 2 segundos ou de atender a um chamado pelo próprio nome, o isolamento ou o desinteresse por outras crianças, a obsessão por rotinas e a repetição de frases ou palavras em momentos inapropriados, a mania de alinhar objetos ou até as brincadeiras de modo não convencional podem indicar a necessidade da procura por um neuropediatra ou um psiquiatra da infância e da juventude, para que seja feito o diagnóstico adequado.

 

E no que diz respeito ao tratamento, ainda que esse diagnóstico não esteja fechado, mas quanto antes forem iniciadas as intervenções, maiores serão as possibilidades de melhoria na qualidade de vida do paciente.

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