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Trajano de Moraes

O jornalista niteroiense Trajano de Moraes sempre esteve ligado à cobertura dos assuntos internacionais em longas passagens por Jornal do Brasil e O Globo. É formado pela Escola de Comunicação da UFRJ e mora em NIterói.
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Forrest Gump e o banco na praça

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Aos 65 anos, Tom Hanks é um dos mais bem-sucedidos atores, diretores e produtores de todos os tempos em Hollywood. Forrest Gump, de 1994, dirigido por Robert Zemeckis, foi um dos grandes sucessos de sua carreira. Uma das cenas mais icônicas é a inicial, em que uma pena flutua mansamente pelo céu, desce ao nível das árvores, enquanto rolam na tela os créditos do filme, para depois pousar docemente entre o par de tênis castigados de Gump/Hanks.  Ele a apanha e a guarda zelosamente dentro de um livro que traz em sua pequena mala de viagem.

Um achado para levar o espectador até o personagem principal, sentado num banco de praça num ponto de ônibus. Gump é um homem simples, ingênuo, mas capaz de correr velozmente e por muito tempo, o que o leva a testemunhar e, a seu modo, participar de alguns dos eventos mais importantes dos EUA no final do século XX, como a Guerra do Vietnã. E a mostrar as transformações culturais e de costumes da época, como o movimento hippie. São essas situações que passa a contar a quem se senta a seu lado e leva ao enredo do filme. A cena do banco tornou-se um símbolo, usada até nas fotos e imagens de divulgação de Forrest Gump – o contador de histórias.

O que Hanks revelou recentemente é que o diretor Bob Zemeckis teve de convencê-lo a fazer a cena, já que ele a considerava desnecessária e forte candidata a corte na edição final do filme. Em entrevista ao ReelBlend podcast, citada pela rede CNN, sobre seu próximo provável sucesso, o filme Elvis, ele afirmou: “Eu disse a Bob (Zemeckis): ‘Alguém vai dar bola para essa coisa maluca de ficar sentado num banco? O que é isso? Ninguém sabe o que quer dizer isso’. E Bob respondeu:  ‘Não sei, é um campo minado, Tom. Você nunca sabe o que o público vai achar. E acaba sendo aquela coisa’”. E Hanks acrescentou: “Acabamos filmando, eram provavelmente 13 páginas de diálogos que tivemos de filmar em um dia e meio”.

Ainda bem, diríamos nós, fãs de Tom Hanks e de Forrest Gump. Algumas curiosidades sobre o filme e o ator:

– O banco não existia naquele ponto da praça, foi posto ali para a filmagem e hoje está no Museu de História de Savannah, na Geórgia, em cuja Praça Chippewa, também chamada de A Praça, a cena foi filmada.

– O filme foi feito com um orçamento de US$ 55 milhões e arrecadou US$ 678 milhões.

– Forrest Gump ganhou Oscar de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Hanks), Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Edição. Recebeu vários outros prêmios.

– A trilha sonora vendeu mais de 12 milhões de cópias.

– Em 2011, a Biblioteca do Congresso americano o selecionou para preservação no Registro Nacional de Filmes citando seu significado cultural, histórico e estético.

– A família da mãe de Hanks, Janet Frager (adaptação de Fraga) era originária dos Açores, Portugal, tendo ele dito em entrevista que ambos se orgulhavam de sua ascendência portuguesa.

– Spoiler: o ator não fará o papel do cantor em seu próximo filme, Elvis (Presley).

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