Niterói por niterói

Melina Amaral

Jornalista niteroiense, atuou como repórter no GLOBO e na Globo.com. Com pós-graduação em Marketing e Gestão de Pessoas, esteve à frente do setor de Comunicação de escolas de Niterói. Apaixonada por fotografia, dá os seus cliques nas horas vagas.  É mãe do André e da Ana Carolina.
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Era uma vez… o coronavírus

Desenho infantil_Coronavirus

Foi-se o tempo em que apenas o bicho papão ou a mula sem cabeça tiravam o sono de nossos pequenos. Há dois anos (e dois anos para uma criança pode representar boa parte de sua vida), um inimigo minúsculo, mas muito real e devastador, assombra o imaginário e também a rotina. E se o cenário hoje, felizmente, já não é tão incerto e preocupante quanto o de meses atrás, as consequências da pandemia ainda podem perdurar.

 

Do dia para a noite, aquela bolota verde cheia de espinhos e muito assustadora se espalhou pelo mundo. Abraços inocentes tornaram-se perigosíssimos e os beijos carinhosos nem se fala. Pessoas queridas partiram sem ter tempo de se despedir. As escolas, entre outros espaços de aprendizagem e socialização infantil, fecharam as portas. Fomos privados de liberdade, do convívio com familiares e amigos, impedidos até de sorrir. E não há quem não tenha se afetado com tamanhas mudanças. Uns mais, outros menos, mas ninguém saiu ileso dessa. A propósito, ainda não acabou!

 

Mas o tempo passou, a vacina chegou e nossa rotina começou a mudar, ainda que com as famosas restrições. E se para nós, adultos, ainda há perguntas sem respostas, incertezas e o incômodo de andar com nariz e boca cobertos, imagine para os menores, que ao longo de meses, anos, viram seus responsáveis apreensivos, abalados, exaustos e muitas vezes irritados. Era impossível não ser impactado por tais sentimentos.

 

As escolas reabriram, os parquinhos voltaram a receber seus mini frequentadores, os aniversários passaram a ser novamente comemorados entre amigos. A vida que era vista da janela voltou a ser vivida de verdade, pelas ruas. Mas o que talvez alguns pais não tenham se dado conta é do quanto e de como a pandemia pode ter trazido prejuízos a seus filhos, mesmo que eles “nem entendessem direito o que estava acontecendo”. Ingenuidade.

 

Distúrbios do sono ou alimentares, atrasos de linguagem ou no desenvolvimento motor, dificuldade de socialização, timidez excessiva, ansiedade, choros sem motivos aparentes, tiques ou manias, entre tantos outros sintomas que surgem agora, no velho/novo normal, podem sim estar relacionados a tudo o que passamos nos últimos dois anos.

 

É preciso estar atento aos sinais, por mais sutis que eles sejam, observar pequenas mudanças de comportamento, estar presente e disponível (sempre que possível) para os filhos. O diálogo sincero, a escuta atenta e respeitosa às crianças, o incentivo à prática esportiva e atividades recreativas, bem com o auxílio profissional adequado são fundamentais para ajudá-las a superar essa experiência que, mesmo sem parecer, pode ter sido traumática. 

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