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Andrea Ladislau

Andrea Ladislau é graduada em Letras e Administração de Empresas, pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. Tem especialização em Psicopedagogia e Inclusão Digital. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional a pessoas do Brasil inteiro.
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As diferenças entre fome psicológica e fome fisiológica

A fome psicológica ou emocional, independe da necessidade energética e nutricional do indivíduo.

A sensação de fome é muito comum e distinta entre os seres humanos. A fome se manifesta em momentos e de formas individualizadas. Podemos dizer que fome psicológica e fome fisiológica são emoções bem particulares e que apresentam muitas diferenças.

A fome fisiológica é a necessidade natural do organismo em suprir as suas deficiências energéticas e nutricionais, que são fundamentais para o seu bom funcionamento, através da alimentação.

Enquanto a fome psicológica ou emocional independe da necessidade energética e nutricional do indivíduo, ela está intimamente relacionada pela vontade de comer em função de um estado emocional. Diferente da fome fisiológica, a vontade aparece mesmo se você não estiver com fome.

Ela aparece nos momentos em que achamos que precisamos nos recompensar com comida por algo que abalou o nosso estado emocional. Em sua grande maioria, está ligada a sentimentos negativos.

Exemplos: um dia muito cansativo no trabalho, excesso de trânsito, briga com alguém querido, desânimo em alguma etapa da vida, tristeza, vazio. Enfim, de forma consciente usamos para nós mesmos a frase: “eu mereço” para tentar ficar livre da culpa adquirida pelos excessos gastronômicos cometidos.

Neste sentido, também podemos falar da compulsão alimentar, uma necessidade que o indivíduo sente de comer, mesmo não estando com fome. Saciado ou não, permanece comendo e geralmente em grandes quantidades em pouco tempo, sem qualquer controle.

A grande verdade é que vários fatores podem ser apontados como desencadeadores destes distúrbios, como:  mudanças emocionais bruscas e o sentimento de desânimo e incapacidade de parar de comer quando saciado.

Além disso, temos também registros de que longos períodos de dietas rígidas podem levar o indivíduo a depressão causada pela imposição da dieta no que tange às privações. Trazendo como consequência o aumento do desejo de comer alimentos até então proibidos.

Outro fator importante é o estresse. Algumas pessoas utilizam a compulsão alimentar como uma maneira de amenizar o estresse vivido, e compensam nos alimentos suas frustrações, medos, inseguranças, traumas do passado como abuso sexual, negligências, entre outros.

Além disso, comer compulsivamente tem grande ligação com baixa autoestima e dificuldade em expressar suas necessidades

Quando falamos em fome emocional e a compulsão alimentar devemos levar em conta que são distúrbios sérios que fazem as pessoas terem uma relação errada com a comida. Come-se não por fome ou vontade, mas sim por tristeza, cansaço, medo, ansiedade….

E, sendo assim, o ideal é buscar ajuda para encontrar a raiz deste problema. Comer em excesso pode trazer uma euforia momentânea. Depois estes sentimentos negativos retornam ao inconsciente, gerando maior desgaste emocional.

O certo é buscar a origem destes sentimentos, uma vez que a relação com a comida deve ser saudável e não de massacre psicológico. A receita para viver livre de distúrbios alimentares como a compulsão, a bulimia, a anorexia e tantos outros que tiram o prazer saudável de uma alimentação adequada é controlar a mente através do autoconhecimento sobre suas emoções e não se autossabotar ingerindo qualquer tipo de alimento, ou grandes quantidades de alimentos.

Analisando toda essa questão pelo olhar psicológico, podemos concluir que alimentar-se em excesso, mesmo sem fome, pode estar ligado a diversos fatores emocionais e psicológicos como um gatilho.  Quando você está feliz, quer comer para comemorar. Quando está triste, come para se acalmar e se sentir confortável.

Quando está irritado, ataca a comida como se estivesse atacando a pessoa que o irritou. Tédio, cansaço e angústias também contribuem levando o indivíduo a ter a ilusão de que comendo irá controlar suas emoções.

Através de uma análise de comportamento, emoções e pensamentos, feita por um profissional adequado, pode-se auxiliar o indivíduo a modificar hábitos pouco saudáveis e aprender a gerenciar as suas emoções de forma positiva e benéfica para sua autoestima.

Ou seja, se você não reeducar os seus hábitos alimentares e não aprender a lidar com o estresse e as emoções, voltará para os hábitos antigos com o passar do tempo.

Enfim, pessoas que possuem e vivenciam transtornos alimentares, costumam enfrentar uma guerra todos os dias com o espelho. Se veem gordas, deformadas, não gostam do que veem em sua frente, nunca conseguem se sentir bem consigo mesma.

Elas não enxergam mais sua beleza interior, existe sim um vazio enorme, pois querem ser o que não são, querem ser como as modelos das capas de revistas e comerciais. A grande verdade é que, o ser humano é único e deve sentir-se feliz como está, claro que tudo com saúde. Sem exageros.

Tudo em excesso faz mal para o organismo e para sua vida. E entenda esse excesso como excesso de privações, ou excesso de dietas, exercícios….

Não devemos nos sentir frustrados e nos sacrificar por padrões impostos. E uma pergunta que devemos nos fazer é: porque tenho que estar sempre agradando ao outro? Onde entra meu amor próprio? Seja feliz e aceite seu corpo sem restrições e sem a necessidade de grandes sacrifícios. No fim, quem deve te amar é você mesmo.

 

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