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Lupulinário

Por Sônia Apolinário

A coluna Lupulinário é escrita e editada pela jornalista Sônia Apolinário e completou 4 anos em julho.
Publicado

Cervejas com alma de espumante para brindar o Réveillon

cerveja réveillon 2

Pensar em Réveillon é pensar em celebração. Hora de escolher aquela bebida refrescante, borbulhante, envasada em uma bela garrafa fechada com rolha. Rolha esta que deverá “explodir” e “fazer bonito” no momento exato da virada do ano. Essa bebida, claro, é a cerveja. Sim, cerveja! Existem vários rótulos que nada ficam a dever aos espumantes – tradicionalmente “escalados” para as grandes festas e celebrações. E não ficam a dever, inclusive, no preço. Até porque, o processo de produção é tão complexo quanto o dos espumantes. Porém o sabor é bem diferente.

O rótulo mais badalado e um dos mais caros, dentre esse tipo de cerveja, é  Deus Brut des Flandres – Biere Brut (Cervejaria Bosteels, Bélgica). Essa foi a primeira cerveja, do mundo, produzida pelo método Champenoise, ou seja, passa por uma segunda fermentação na garrafa, utilizando o mesmo processo de fermentação de vinhos. Resulta em uma bebida de amargor baixo e 11,5% de teor alcoólico.

Seu processo de produção é sofisticado. É feita inicialmente na Bélgica. Em seguida, o líquido segue para a cidade de Reims, região de Champagne (França), onde é colocada em garrafas de champanhe e passa pelo mesmo processo do vinho local, repousando nas caves, para a segunda fermentação. Durante um ano inteiro, a cerveja passa pelo remuage, processo que consiste em girar diariamente a garrafa para que os sedimentos das leveduras se depositem no gargalo. Ao final, as impurezas são expulsas da garrafa, que é novamente fechada, com rolha definitiva, de cortiça, igual às dos melhores vinhos.

Resulta em uma cerveja de coloração dourada e translúcida, com aromas e sabores complexos, remetendo a notas de maçã, gengibre, malte, pimenta-da-jamaica, cravo da índia e lúpulo.

A mesma cervejaria tem outro rótulo que também é referência histórica, mas com preço mais acessível: Tripel Karmeliet. Com 8,4% de teor alcoólico, sua receita foi criada em 1679 pelas freiras Karmekiets. Produzida com trigo, cevada e aveia, a cerveja passa por uma terceira fermentação na própria garrafa. Com sabor frutado e condimentado, apresenta notas de cravo provenientes da levedura. Corpo baixo com aftertaste suavemente adocicado. Pode conter resíduo de fermento em função da refermentação na garrafa.

Sobre a Cervejaria Bosteels, foi fundada em 179 e pertenceu à mesma família por 200 anos, abrangendo sete gerações. Desde 2016, porém, faz parte do grupo AB INBev do qual a Ambev faz parte.

Cervejas borbulhantes não são uma exclusividade belga. Várias marcas pelo mundo têm rótulos nessa linha. Inclusive nacionais. Nem toda cerveja desse tipo passa por processo de produção tão complexo para conseguir as desejadas borbulhas.

No Réveillon passado, por exemplo, Lupulinário foi de Bodebrown Bancha Sour, que a marca define como sendo uma cerveja “sparkling” (efervescente, borbulhante). Sua base é uma Saison, “fermentada com levedura belga típica da região da Wallonia, a Belgian Saison”, como a cervejaria informa. Na receita, o astro é o bancha, que é um tipo de chá-verde japonês, também proveniente da planta Camellia Sinensis.  O bancha é produzido a partir de folhas que permanecem no pé, no mínimo, por três anos, o que torna seu gosto menos adstringente. No Dry Hopping, foi usado o lúpulo japonês Sorachi Ace que tem como características intenso aroma e sabor de limão com notas de chá e sementes de coentro.

Quem vê apenas o rótulo, não imagina que também faz parte da receita da Bodebrown Bancha Sour  a brasileiríssima seriguela, fruta amarela típica do Norte e Nordeste do país, “que provoca um aroma suave e sabor frutado tropical”, de acordo com a cervejaria. Outro ingrediente da receita dessa cerveja é casca de limão Taiti. Com 6,5% de teor alcoólico, é uma cerveja leve, refrescante e festiva. De quebra, tanto o bancha quanto a seriguela têm “fama” de retardar o envelhecimento da pele e ajudar a perder peso.

Existe, ainda, cerveja cheia de perlage e que leva uva na sua composição. A Leopoldina Italian Grape Ale é um exemplo dessa união entre cerveja e vinho. Não por acaso, a marca pertence ao grupo Casa Valduga, de Bento Gonçalves (RS). O rótulo é elaborado durante o período de vindima e leva na sua composição mosto de uva Chardonnay, dos vinhedos da Valduga. Essa cerveja também tem Saison como estilo base. É elaborada pelo método tradicional com segunda fermentação na garrafa. Apresenta notas frutadas e condimentadas.

Niterói

Dentre as marcas de Niterói, um destaque é o rótulo Vênus, da Masterpiece. Trata-se de uma Brut IPA – o nome do estilo, com a terminologia usada para designar espumantes muito secos, já indica que se trata de uma cerveja com alma mais do que festiva.

Esse estilo tem uma origem curiosa, bem nos moldes “mirou no que viu acertou o que não viu”. Surgiu no mercado em 2017, criado por um cervejeiro norte-americano que, na verdade, tentava melhorar as receitas das suas Stouts, que é um estilo de cerveja escura.

Um espumante pode ter entre 7% e 14% de teor alcoólico. A Vênus tem 11,5%, mas você não repara. Talvez somente na hora de se levantar da cadeira.

Um brinde ao Novo Ano! Com cerveja!

 

 

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