Niterói por niterói

Trajano de Moraes

O jornalista niteroiense Trajano de Moraes sempre esteve ligado à cobertura dos assuntos internacionais em longas passagens por Jornal do Brasil e O Globo. É formado pela Escola de Comunicação da UFRJ e mora em NIterói.
Publicado

Batuque do Ponto (de Cem Réis)

Mestre Riko (de amarelo) com alguns de seus alunos na oficina de percussão da Afac. Foto: Divulgação

Hoje deixo de lado as questões internacionais para falar de algo muito próximo a nós, niteroienses. É uma instituição quase centenária que pretende sacudir a poeira do Ponto Cem Réis de Santana, o largo próximo ao marco de fundação de Niterói e que abriga a Igreja de São Lourenço da Várzea, no Fonseca. Trata-se da Afac – Associação Fluminense de Amparo aos Cegos, que acaba de abrir o Batuque do Ponto, oficina de percussão dirigida por mestre Riko, criador da Fina Batucada, do Rio de Janeiro. A oficina é aberta todos os que apreciam e queiram aprender percussão, deficientes ou não.

A Afac é, por excelência, a entidade dedicada à reabilitação de deficientes visuais e intelectuais e integra a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, do SUS. Segundo seu superintendente, Omar Luis Rocha da Silva, o Batuque do Ponto é um passo ousado na direção de criar um pólo de reabilitação também cultural do Ponto de Cem Réis. O segundo passo está a caminho: o credenciamento pelo MEC como faculdade de ensino superior. O primeiro curso a ser oferecido pelo Instituto Superior Afac (Isafac) será o noturno de Terapia Ocupacional, que buscará suprir a carência de profissionais nessa área de grande interesse para a reabilitação de pessoas deficientes. O estabelecimento do curso está no trâmite final no MEC e a Afac recebeu notas 4 (máximo de 5) na inspeção federal à faculdade e ao curso.

Mestre Riko é fundador e regente da primeira e maior bateria feminina do Brasil, a Fina Batucada. Também fundou a cadeira de percussão popular da Escola de Música Villa-Lobos, no centro do Rio, da qual é coordenador e professor. A Fina Batucada foi premiada com o Estandarte de Ouro do jornal O Globo como melhor bateria de escola de samba, grupo mirim, no Carnaval de 2003. Devido à premiação, foi convidada pelo então prefeito do Rio, César Maia, para abrir o desfile das escolas campeãs do carnaval daquele ano, e desde então isto se tornou mais uma tradição da grande festa carioca.

Sob a batuta de Mestre Riko, as apresentações da Fina Batucada foram aos palcos e viraram show. A bateria feminina é conhecida como “as meninas do hino”, devido a um arranjo inovador de Riko para o Hino Nacional Brasileiro. Ela participou do documentário “Ritmos do Mundo”, da BBC britânica, exibido em Londres, num programa dirigido por outro mestre, George Martin, nada menos do que o famoso arranjador dos Beatles. Entre outras atividades, Riko é um pesquisador incansável de ritmos.

A Associação Fluminense de Amparo aos Cegos é uma instituição filantrópica niteroiense fundada em 1931. Nela trabalham profissionais de assistência social, terapia ocupacional, fonoaudiologia, fisioterapia, pedagogia, psicologia, musicoterapia, oftalmologia, psiquiatria e neurologia. Assiste pessoas com deficiência visual e/ou intelectual, de bebês a idosos.

COMPARTILHE