Niterói por niterói

Gilberto de Abreu

Jornalista, curador de artes e produtor cultural, Giba é carioca mas foi criado em Niterói. Com quase 30 anos de experiência em jornalismo cultural, e há quatro à frente da Babel.08_Artes, vem movimentando a cena cultural da cidade com eventos como a coletiva “A Caminho da Babel”, um panorama da Artes Visuais em Niterói, que reuniu 40 artistas e mais de 200 obras na exposição inaugural da Cúpula do Caminho Niemeyer.
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As mil e uma fábulas de Gabriel Bernardo

Gabriel Bernardo @ohomemlego

Quem anda pelas ruas de Itacoatiara já deve ter visto, aqui ou ali, um ou mais adesivos com bonecos de Lego afixados nos postes e orelhões do bairro. A intervenção urbana leva a assinatura de um incerto @ohomemlego. Por trás da lúdica persona esconde-se um garoto-prodígio: Gabriel Bernardo.

Artista visual e designer de moda, Gabriel nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para Niterói, instalando-se em Itacoá em 2013. Gabriel não surfa, mas tira onda quando invade a urbe com seus stickers gigantes e as areias do “seu quintal” usando um zentai no lugar da sunga ou bermuda.

 

Trecho da resenha no Telegram

 

– Conta como foi fazer aquele editorial de cangas usando costume fetichista em plena Itacoatiara…Alguém viu? Como reagiu?

–  Foi muito tranquilo fazer as fotos, conseguimos explorar bem o local e acho que só uma criança veio perguntar se eu era super-herói (risos)

–  Adoro a metáfora do super-herói, porque no texto já havia falado sobre garoto-prodígio, num contraponto à lúdica persona de @ohomemlego

–  Que lindo… Mas rolou essa criança, que veio saber se eu estava fantasiado de super-herói…

–  E como você se saiu?

–  Eu disse que era uma roupa chamada zentai e que estávamos fazendo umas fotos. Aí ele entendeu.

–  Sei como. Chique sem ser vulgar.

–  Hahahaha

Falando sério agora. Gabriel Bernardo usa o zentai não é de hoje. “É parte do meu trabalho, seja na performance ou nos editoriais, como modelo”, define. “Assim que entrei na aula de costura uma das primeiras roupas que quis fazer foi o zentai. Sempre me atraiu como vestimenta”,

Moda, escultura, performance e intervenção urbana são a sua praia. E nisso o cara é big rider. Suas manobras no campo da fábula, do humor, do lúdico e da nova geometria fazem dele um “atleta” promissor… 

“Artistas que trabalham na direção da moda e das artes sempre possuem um grande desafio nas mãos”, reconhece Gabriel. “Nunca sei direito os suportes que devo usar, acho que as coisas acontecem de forma natural e intuitiva”.Ele diz acreditar que esses dois segmentos se fundem no seu comportamento. 

“A intervenção vem estampada também nas roupas e acessórios da minha marca. Assim como os adesivos, elas também circulam pela cidade, nesse caso através dos corpos”.

Graduado em artes visuais (UFRJ). estudou ainda na EAV – Escola de Artes Visuais do Parque Lage, criadouro de inúmeros artistas da emblemática Geração 80. A experiência acadêmica o fez professor de desenho na ELA – Escola Livre de Artes do Museu Bispo do Rosário, e a participar do Coletivo Vô Pixá Pelada, de ações criativas no Hotel da Loucura, do Instituto Nise da Silveira. 

Seu trabalho mais recente, atualmente em exibição no Centro Cultural dos Correios de Niterói, no Centro da cidade, é um desdobramento daquele apresentado em novembro de 2019 na coletiva A Caminho da Babel, da qual fui curador.

Se na exposição da Cúpula do Caminho Niemeyer o encantamento se dava diante de minimundos dispostos na parede, cada um na sua prateleira, o assunto agora é outro: o contraponto do peso, da densidade da argila, com a leveza do Ovo, e da noção que temos de sua fragilidade.

As peças da exposição foram desenvolvidas no Ateliê Keiko Mayama, que desde 1988 fomenta o intercâmbio entre artistas. O trabalho de seus colegas de residência também encontram-se em cartaz.

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