A importância de uma comunicação clara e assertiva deve ser avaliada e aplicada em todos os setores de nossa vida, principalmente nos ambientes corporativos.
de comentários que, julgamos, “sinceros”, sem tomar os devidos cuidados com o outro, podem abalar ainda mais a autoestima de um indivíduo, fazendo-o sentir-se muito pior e excluído, afetando tanto seu emocional quanto sua produtividade.
Mas essa identificação, concordo que não seja fácil. É extremamente, conflituoso caracterizar essa linha tênue, uma vez que nos tornamos hoje em dia, até por conta das redes sociais, grandes julgadores, pessoas chamadas “autênticas” e, na prática, acabamos magoando os outros sem necessidade com comentários maquiados por motivação ou críticas construtivas, mas que na verdade são falas cheias de ofensas em suas entrelinhas.
O mais importante é tentar ser hábil se precisar fazer algum comentário positivo ou negativo a alguém, principalmente no local de trabalho, onde as pressões do cotidiano já mexem com o psicológico de todos.
As pessoas podem exagerar nos termos usados, ao pensar que estão sendo simpáticos, e até que seus comentários possuem um fundo “construtivo”.
Mas isso, nem sempre é real. Em primeiro lugar, questione-se internamente se é realmente necessário fazer sua colocação? Realmente eu devo/preciso falar isso? Se falar posso magoar os sentimentos da outra pessoa? Se houve qualquer dúvida nesta resposta, melhor não fazer o comentário.
Desta forma, a melhor maneira de falar sem magoar, é dosando as palavras, afastando a arrogância e grosseria para longe. Sendo assertivo na franqueza. Uma franqueza honrosa e educada, dizendo o que precisa ser dito (verifique se realmente é necessário ser dito), no lugar e momento certos.
Considerando a personalidade da pessoa com quem você quer ser honesto e ajustando o seu tom de acordo com isso. Tente não parecer arrogante e nem gesticule demais ou aponte o dedo; use um tom baixo e calmo. Coroado por palavras que não venham soar como pedradas cheias de razão. E se for um líder, não use deste poder para ofender.
Outro ponto importante é, antes de dizer qualquer coisa a alguém observe se não tem uma ponta de inveja em sua fala. Dizer uma verdade pode parecer exatamente isso. E no fundo, ninguém precisa ser grosseiro com ninguém.
Respeitar o espaço, o limite e o jeito de ser de cada um é a chave desta grande questão. Se o outro está feliz acima do peso, fora do peso, com cabelo natural, com cabelo produzido por química, ou qualquer outra situação, o mínimo que se espera é o respeito. Mostre empatia e carinho. Existem muitas formas de colocar questões, sem magoar os sentimentos.
Na conversação diária são as pequenas coisas que fazem toda a diferença. Senso crítico, capacidade de analisar formal e racionalmente, é extremamente importante, mas posso dizer que não mais do que, a sensibilidade.
Devemos ter cuidado em tocar o mundo interior do outro. A forma como você conduz uma observação, as palavras empregadas, o tom de voz, o momento, o local e sua postura, são fatores cruciais para determinar se está utilizando corretamente ou não, seu senso crítico.
Conhecendo a fundo as características e o jeito de ser do outro, poderemos saber se o que for colocado será bem recebido ou não. Importante lembrar que, somos responsáveis pelo que falamos, não pelo que o outro entende.
Mais uma vez, cuidado com o que fala, cuidado com o que diz. Se está julgando, recue. Se está ferindo, coloque-se no lugar do próximo. Empatia é ter sensibilidade. E preocupar-se com a reação diante de suas colocações é, no mínimo, ter responsabilidade.
Enfim, a comunicação é um ponto crucial em toda e qualquer situação e no ambiente corporativo não é diferente. Muitas vezes, alguns comentários são travestidos de sinceridade que nada mais são do que alfinetadas.
A melhor forma de lidar com essa situação é ter a consciência de que, a pessoa grosseira não está acostumada a ser tratada com educação, por isso, a polidez pode ser impactante. Sem entrar na mesma frequência mal-educada, solicite que o emissor da mensagem seja mais polido, fale com tom de voz mais baixo e expressando como está se sentindo. Precisamos manter a harmonia e a assertividade comunicativa para que a produtividade e leveza das relações também sejam priorizadas, evitando mal-entendidos e desconfortos desnecessários.
Dra. Andréa Ladislau / Psicanalista