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Barca Rio-Niterói atrai novos passageiros com tarifa reduzida

Por Filipe Bias
| aseguirniteroi@gmail.com

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Preço da passagem caiu de R$ 7,70 para R$ 4,70; objetivo é reduzir o número de carros que circulam na cidade em direção ao Rio
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Movimento na Praça Arariboia foi consideral normal, no primeiro dia de desconto. Foto: Filipe Bias

Eliane, moradora de São Gonçalo que se desloca ao Rio para tratamento médico, costumava utilizar o ônibus, mas decidiu experimentar a barca Rio-Niterói hoje.

“Como abaixou a tarifa e às vezes a ponte engarrafa, optei por vir de barcas”, contou. Ela foi uma das passageiras que embarcaram hoje na praça Arariboia com destino à Praça XV no primeiro dia de redução das tarifas, que passaram de R$ 7,70 para R$ 4,70.

Um folheto do governo do estado, distribuído na estação, informa que para um passageiro que use as barcas diariamente, a economia chega a R$ 132 por mês.

A redução foi adotada pela Secretaria Estadual de Transportes, depois que a Prefeitura de Niterói adotou a mesma medida em relação à passagem do Catamarã de Charitas, que caiu de R$ 21 para R$ 7,70, que resultou no aumento de 72% do número de passageiros por dia.

O objetivo da medida é incentivar o uso das barcas para reduzir o número de carros da Região Oceânica em direção ao Centro ou ao Rio de Janeiro.

Tarifa reduzida

Na manhã desta segunda-feira, o A Seguir esteve na Estação Arariboia e flagrou a primeira impressão dos passageiros e funcionários no primeiro dia de redução.

A percepção inicial de funcionários das catracas era de um movimento dentro da normalidade para o horário, com a ressalva de que muitos usuários poderiam ainda não estar cientes da novidade, “trabalho há muito tempo aqui e não achei cheio hoje, já vi dias bem mais intensos”, contou o funcionário responsável pelas catracas de bicicletas.

Funcionário das Barcas ajuda ciclistas a atravessarem as catracas com as bikes. Foto: Filipe Bias

Entre os passageiros, a notícia da tarifa mais baixa foi recebida com entusiasmo, mesmo por aqueles que já eram usuários frequentes. Rafael, morador de Niterói que trabalha no Rio, assim como outros entrevistados, sequer sabia que a redução já estava em vigor, mas aprovou a medida.

Já Eduarda, também niteroiense que vai ao Rio para trabalhar, contou que sempre priorizou a barca pela segurança, evitando os ônibus “frescões” devido aos relatos de assaltos. Para ela, a redução no valor é um bônus, “além de ser o transporte mais seguro, também vai ser o mais barato agora”, disse Eduarda.

A nova tarifa também atraiu passageiros que antes optavam por outros meios de transporte. Vitor, que não costumava pegar a barca, veio hoje justamente por conta do preço mais acessível. Já Larissa, que sempre utilizou as barcas para ir do município vizinho para o Rio devido à rapidez, não sabia da redução, mas expressou alívio:

“Com a bolsa do estágio não sendo tão boa, essa redução ajuda muito”. A mesma surpresa e satisfação foram compartilhadas por Elenice, também de São Gonçalo, que estava indo para um curso no Rio.

Mesmo para quem já era adepto assíduo das barcas, a diminuição no preço é vista como um benefício significativo. Maitê, moradora de Maricá que trabalha no Rio e passou a utilizar as barcas com frequência no último ano para fugir do trânsito, acredita que a redução “vai ajudar muito a democratizar o uso das barcas e além disso diminuir o tráfego da ponte Rio-Niterói, que é muito intenso”.

Economia

Segurando o planfleto que foi distribuído hoje na estação com um sorriso no rosto, Rodrigo, também morador de Maricá que pega as barcas para trabalhar no Rio, celebrou a redução na tarifa: “Se você fizer a conta no final do mês é uma economia absurda. A melhor coisa (para ir trabalhar) é a barca porque você sabe que horas vai chegar, não tem risco de acontecer um acidente e você se atrasar.”

Rodrigo não está errado, considerando que o passageiro pegue a barca todos os dias úteis para trabalhar, realizando o trajeto de ida e volta, a economia pode ultrapassar os R$ 130. “Vou pegar a barca direto agora, vai ajudar muito na economia lá de casa”, contou.

Panfleto distribuído na entrada da estação Arariboia e catracas. Foto: Filipe Bias.

Luiza, moradora de Niterói, disse que alterna entre barca e ônibus para trabalhar no Flamengo. Segundo ela, a barca é uma opção mais segura e sem risco de se atrasar por conta do trânsito. Em entrevista ao A Seguir, confessou que talvez utilize a barca com mais frequência agora.

“Opto pelo ônibus por ser mais barato, porque só preciso pegar um ao invés de barca mais metrô. Mas talvez com a barca mais barada agora pegue com mais frequência. Esses três reais a menos em toda travessia fazem toda diferença no final do mês”.

Até quem não utiliza a barca com frequência também celebrou a novidade. Alexandre, que tinha uma audiência agendada no Rio, acredita que a redução será benéfica para ele. “Achei que antes o preço era muito caro, mas a redução para R$ 4,70 é justa para a população”, afirmou.

Relembre o caso

A viabilização da tarifa mais baixa acontece depois da entrada em operação, desde 12 de fevereiro, do novo consórcio Barcas Rio. Diferentemente do modelo anterior adotado pela CCR Barcas, no qual a receita dependia diretamente da tarifa paga pelos usuários, a nova administração opera sob um regime de prestação de serviço, sendo remunerada pelo custo da milha náutica, calculado com base nas viagens efetivamente realizadas.

Essa mudança estratégica visa permitir um maior controle da operação por parte do governo e minimizar o impacto de futuros reajustes tarifários para a população.

Nova área das catracas das Barcas para pagamento por QR Code com a câmera do celular. Foto: Filipe Bias

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